Eu precisei vir até aqui
para entender
que não existe alto demais
sempre há um outro ponto
para alcançar.
Eu precisei conquistar
tudo que eu queria
para entender que os sonhos
sempre mudam.
Não existe chegada.
As batalhas que você luta
são realmente aquelas
que você quer vencer?
Você está indo alegremente?
Ou continua pensando
que ser blue é mais autêntico?
Eu precisava de uma história pra contar.
Eu sou mais que isso.
Agora
é hora de viver um outro enredo.
Postagem em destaque
Carta-Poema II
Eu me perdoo. Por todas às vezes que eu disse que não ia e fui. Por todas as palavras contraditas Por todas as ações julgadas e incompre...
domingo, 29 de dezembro de 2013
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Viver é ser o que se é
Para Aristóteles, seres naturais são aqueles que “tem dentro de si um princípio de mudança e de repouso” (Física II.1,192b13-14), um princípio interno que os move através da vida. Os seres naturais: nascem, crescem, desenvolvem-se, permanecem em alguns estágios da vida por algum tempo, locomovem-se, reproduzem e também morrem. Os seres naturais são todos aqueles dotados de vida, de anima: plantas e animais de todos os tipos. Eles têm como que um motor próprio que os impulsiona e os direciona à vida. Muito diferente disso, são os artefatos, objetos que são criados, moldados pelas mãos de um artesão ou um fabricante. Artefatos precisam de uma causa externa a eles para existirem. Mesas, por exemplo, não nascem ou morrem, nem se reproduzem; mesas são criadas e destruídas, assim mesmo, sem grandes sentimentalismos, na maioria das vezes.
Quando perguntamos a causa de uma mesa, podemos dizer que sua causa material é a madeira (no caso de ter sido fabricada com essa matéria), e que ela tem a forma de uma mesa para que possamos colocar coisas em cima dela. É aparentemente simples explicar e entender porque uma mesa é o que é. O mesmo não ocorre com os seres naturais. Para compreender os seres naturais, o porquê um homem é o que é, por exemplo, devemos entender sua finalidade, aquilo em vista do que ele existe.
No exemplo da mesa de madeira, fica claro que ela poderia ser de algum outro material, de ferro talvez, mas que construída de acordo com a forma de uma mesa, ainda assim seria uma mesa. Com os artefatos fica mais fácil visualizar como que a forma, em certo grau, é mais importante que a matéria. Já nos seres naturais é diferente; podemos entender separadamente o que é forma e matéria, mas eles são componentes constitutivos, não desassociamos matéria e forma porque ambos formam a unidade dos organismos, para haver um é preciso o outro e vice-e-versa; a forma é sobretudo, mas não é sozinha. Os ossos e carnes que formam um gato, por exemplo, estão configurados numa determinada forma, que por sua vez só poderia ser realizada naquelas carnes e ossos, e esse conjunto organizado desse jeito é o animal gato.
Assim, um conjunto de coisas não é de fato uma unidade, da mesma forma que uma pilha de madeira não é uma mesa e um amontoado de carnes e ossos não é um gato. O que falta ao conjunto que está presente na unidade é a forma, a configuração, a organização em que essas coisas estão dispostas e como elas se interferem. E é desse ponto de vista que a forma tem prioridade em relação à matéria. Nos seres naturais, a forma é como um poder (dýnamis), a dinâmica que mantém e induz o ser ao seu pleno desenvolvimento, que é sua finalidade enquanto ser natural.
A forma existe em diversos níveis. A forma de um filhote de gato é aquela que organiza o ser naquilo que atualmente ele é: um gatinho. Dentro de si, o gatinho tem a natureza, o impulso natural de crescer e se desenvolver, até se transformar em um gato adulto no pleno exercício de sua maturidade. Esse impulso natural é também a sua forma, direcionando o desenvolvimento do ser para as suas formas potenciais. Enquanto filhote, talvez o gato ainda não consiga subir em cima da cama (o meu aos três meses de idade não conseguia), mas quando adulto certamente ele conseguirá. As atividades de um gato adulto já fazem parte da sua forma potencial, que ele poderá realizar assim que atingir com sucesso o desenvolvimento natural do seu ser, direcionado pela sua própria força interna de alcançar sua finalidade. Ou seja, a sua forma irá mantê-lo, desenvolvê-lo e direcioná-lo até que suas potencialidades sejam plenamente atualizadas, alcançando assim a finalidade do seu ser, o aquilo em vista do que o ser natural existe. No caso, o gato existe com a finalidade de ser um gato, plenamente atualizado em suas capacidades e no auge da sua maturidade.
Portanto, o fim (telos), a finalidade de todos os seres naturais, assim como a do ser humano, é ser plenamente aquilo que é. Isso significa desenvolver e realizar plenamente suas capacidades, alcançar sua maturidade enquanto indivíduo de uma determinada espécie, seguir seu impulso natural e interno de vida, sua natureza. Como diz Almir Sater, na música Tocando em Frente: “Penso que cumprir a vida/ Seja simplesmente/ Compreender a marcha/ E ir tocando em frente/ Cada ser em si/ Carrega o dom de ser capaz”. As coisas recebem uma denominação quando tem a capacidade para tal; assim como os seres naturais ainda que não tenham consciência de quais são exatamente suas capacidades estão destinados a serem plenamente o que são. Nós humanos, somos por natureza construtores da realidade, e ainda que não saibamos exatamente quais caminhos devemos tomar, nosso poder interno de vida nos direcionará à realização plena daquilo que somos, pontos focais nos quais o mundo está conhecendo a si mesmo.
Quando perguntamos a causa de uma mesa, podemos dizer que sua causa material é a madeira (no caso de ter sido fabricada com essa matéria), e que ela tem a forma de uma mesa para que possamos colocar coisas em cima dela. É aparentemente simples explicar e entender porque uma mesa é o que é. O mesmo não ocorre com os seres naturais. Para compreender os seres naturais, o porquê um homem é o que é, por exemplo, devemos entender sua finalidade, aquilo em vista do que ele existe.
No exemplo da mesa de madeira, fica claro que ela poderia ser de algum outro material, de ferro talvez, mas que construída de acordo com a forma de uma mesa, ainda assim seria uma mesa. Com os artefatos fica mais fácil visualizar como que a forma, em certo grau, é mais importante que a matéria. Já nos seres naturais é diferente; podemos entender separadamente o que é forma e matéria, mas eles são componentes constitutivos, não desassociamos matéria e forma porque ambos formam a unidade dos organismos, para haver um é preciso o outro e vice-e-versa; a forma é sobretudo, mas não é sozinha. Os ossos e carnes que formam um gato, por exemplo, estão configurados numa determinada forma, que por sua vez só poderia ser realizada naquelas carnes e ossos, e esse conjunto organizado desse jeito é o animal gato.
Assim, um conjunto de coisas não é de fato uma unidade, da mesma forma que uma pilha de madeira não é uma mesa e um amontoado de carnes e ossos não é um gato. O que falta ao conjunto que está presente na unidade é a forma, a configuração, a organização em que essas coisas estão dispostas e como elas se interferem. E é desse ponto de vista que a forma tem prioridade em relação à matéria. Nos seres naturais, a forma é como um poder (dýnamis), a dinâmica que mantém e induz o ser ao seu pleno desenvolvimento, que é sua finalidade enquanto ser natural.
A forma existe em diversos níveis. A forma de um filhote de gato é aquela que organiza o ser naquilo que atualmente ele é: um gatinho. Dentro de si, o gatinho tem a natureza, o impulso natural de crescer e se desenvolver, até se transformar em um gato adulto no pleno exercício de sua maturidade. Esse impulso natural é também a sua forma, direcionando o desenvolvimento do ser para as suas formas potenciais. Enquanto filhote, talvez o gato ainda não consiga subir em cima da cama (o meu aos três meses de idade não conseguia), mas quando adulto certamente ele conseguirá. As atividades de um gato adulto já fazem parte da sua forma potencial, que ele poderá realizar assim que atingir com sucesso o desenvolvimento natural do seu ser, direcionado pela sua própria força interna de alcançar sua finalidade. Ou seja, a sua forma irá mantê-lo, desenvolvê-lo e direcioná-lo até que suas potencialidades sejam plenamente atualizadas, alcançando assim a finalidade do seu ser, o aquilo em vista do que o ser natural existe. No caso, o gato existe com a finalidade de ser um gato, plenamente atualizado em suas capacidades e no auge da sua maturidade.
Portanto, o fim (telos), a finalidade de todos os seres naturais, assim como a do ser humano, é ser plenamente aquilo que é. Isso significa desenvolver e realizar plenamente suas capacidades, alcançar sua maturidade enquanto indivíduo de uma determinada espécie, seguir seu impulso natural e interno de vida, sua natureza. Como diz Almir Sater, na música Tocando em Frente: “Penso que cumprir a vida/ Seja simplesmente/ Compreender a marcha/ E ir tocando em frente/ Cada ser em si/ Carrega o dom de ser capaz”. As coisas recebem uma denominação quando tem a capacidade para tal; assim como os seres naturais ainda que não tenham consciência de quais são exatamente suas capacidades estão destinados a serem plenamente o que são. Nós humanos, somos por natureza construtores da realidade, e ainda que não saibamos exatamente quais caminhos devemos tomar, nosso poder interno de vida nos direcionará à realização plena daquilo que somos, pontos focais nos quais o mundo está conhecendo a si mesmo.
"Penso que cumprir a vida seja simplesmente / Compreender a marcha e ir tocando em frente
Cada um de nós compõe a sua história / Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz!"
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
O homem que eu amo
Não posso ficar
com alguém que não goste de mim.
Que se importa comigo
tanto quanto se importa com qualquer um.
Alguém que é capaz
de assumir compromissos e quebrar regras
por outras mulheres
não por mim.
Capaz de amar
qualquer vadia dessa cidade
mas não a mim.
Eu não sou o bastante
não sou o suficiente
pra ser melhor que qualquer uma.
Eu sempre fui mais uma
na sua contagem
mais uma
que não queria ver.
Sempre a puta, o prêmio na cama
impulsiva e intensa demais
pra ter acesso à qualquer casa
à qualquer coração.
Relegada ao afeto
que sobra
ao revanchismo.
E eu que poderia amar
e ser amada, assim
pela metade
Eu que poderia me converter
me domesticar
num cãozinho obediente
numa moça recatada
e cheia de virtudes
por todos querida e amada.
Eu
sorrio de prazer
enquanto assisto meu lobo
estraçalhar a ovelha indefesa
que eu poderia ser.
Ah não, eu não! Eu amo
e sou amada
inteira.
Eu amo
essa fúria descontrolada
esse ardor que me consome
essa febre.
Eu amo meu grito
e minha pressa
minha sede e minha fome
de sempre mais.
Amo minha contagiante alegria
meu humor escrachado
minha sensibilidade afiada
meus olhos rasos d'água
minha boca curvada num sorriso apaixonante.
Amo a ferocidade que me ergue
e me mantém
e a doçura que me invade
depois da luta.
E o homem que me ama
ama apaixonadamente minhas loucuras
tanto quanto eu.
O homem que me ama
respeita meus limites e desafios
tanto quanto respeita os seus.
O homem que eu amo
é aquele que me ama
aquele que não teme
a proximidade
a proximidade
e adora
brincar com fogo.
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Marcas
Eu renuncio à minha inocência.
Eu os odeio com todas as minhas forças
Espero que vocês morram, lentamente.
Eu desejo o sangue, porque já cansei da mesmice
Porque eu sempre soube que o meu destino é um só.
E eu que sou tão pequena e tão fraca
Não posso permitir que a morte venha aos poucos.
Não sou covarde, apenas infeliz
A dor não me assusta, assusta a possibilidade de voltar
Assusta-me ter que vivenciar dia após dia tamanha desgraça.
Será que eu ainda não entendi?
Não tem nada aqui pra mim
Esse lugar foi feito pra que eu fosse embora.
Eu lamento que todo carinho seja assim apagado
Vou me lembrar disso pelo resto da eternidade.
Eu vou lembrar como foi quase ser amada
Acho que meu mal é a quasidade
É quase morrer, é quase viver, é quase amar, é quase.
Não posso evitar de ver o quanto sou atraente.
Ouço meu coração batendo ritmado
Ele não sabe o que se passa aqui fora?
Ele não sabe da minha vida toda?
Do meu desejo de morrer?
Ele não sabe que ouvi-lo tranquilo é um insulto à minha dor?
Ah, leviano coração! Você nunca esteve do meu lado.
Porque eu insisto tanto?
É curioso que depois de tantas marcas, a que mais doa ainda seja a deixada pelas mãos dele.
Eu os odeio com todas as minhas forças
Espero que vocês morram, lentamente.
Eu desejo o sangue, porque já cansei da mesmice
Porque eu sempre soube que o meu destino é um só.
E eu que sou tão pequena e tão fraca
Não posso permitir que a morte venha aos poucos.
Não sou covarde, apenas infeliz
A dor não me assusta, assusta a possibilidade de voltar
Assusta-me ter que vivenciar dia após dia tamanha desgraça.
Será que eu ainda não entendi?
Não tem nada aqui pra mim
Esse lugar foi feito pra que eu fosse embora.
Eu lamento que todo carinho seja assim apagado
Vou me lembrar disso pelo resto da eternidade.
Eu vou lembrar como foi quase ser amada
Acho que meu mal é a quasidade
É quase morrer, é quase viver, é quase amar, é quase.
Não posso evitar de ver o quanto sou atraente.
Ouço meu coração batendo ritmado
Ele não sabe o que se passa aqui fora?
Ele não sabe da minha vida toda?
Do meu desejo de morrer?
Ele não sabe que ouvi-lo tranquilo é um insulto à minha dor?
Ah, leviano coração! Você nunca esteve do meu lado.
Porque eu insisto tanto?
É curioso que depois de tantas marcas, a que mais doa ainda seja a deixada pelas mãos dele.
domingo, 8 de dezembro de 2013
Realidade Paralela
Você me ensinaria a gostar do frio
Eu te ensinaria a gostar do calor
Você me ensinaria a lidar com as imagens
Eu te ensinaria a lidar com as palavras
Eu te mostraria o som, o grito
Demonstraria a explosão
Você me mostraria o silêncio, o sussurro
Demonstraria a paz
Juntos, nós aprenderíamos quais são os objetivos que realmente importam
Eu iria interferir na sua vida
Totalmente
E você iria adorar.
E não importa o que eu diga quando começar a te odiar:
Eu gosto muito de você.
Eu te ensinaria a gostar do calor
Você me ensinaria a lidar com as imagens
Eu te ensinaria a lidar com as palavras
Eu te mostraria o som, o grito
Demonstraria a explosão
Você me mostraria o silêncio, o sussurro
Demonstraria a paz
Juntos, nós aprenderíamos quais são os objetivos que realmente importam
Eu iria interferir na sua vida
Totalmente
E você iria adorar.
E não importa o que eu diga quando começar a te odiar:
Eu gosto muito de você.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Lúdica Ilha
Sinto meus lábios incharem
Ambas as bocas desabrocham,
intumescidas e abertas
Diferente do calor úmido que se concentra entre minhas
pernas
Minha garganta está seca
Angustio um beijo
Minhas mãos sentem a pele,
desenham as curvas
Nada mais posso raciocinar
Meus olhos semicerram enquanto
me inclino suplicante
Logo, seu cheiro me invade
Preenchendo-me inteira
Antevejo sua cor
E prevejo a sensação de ser possuída
Por sua presença...
Num ligeiro susto, meus olhos se abrem.
Rugem em meus
ouvidos todos os sons dessa cidade de pedra, trazendo-me de volta.
Por que
você se recusa a vir?
Outro corpo poderá saciar minha
sede de você?
Considero que talvez uma pele com semelhante matiz... Meu corpo
não perceberá se eu substituí-lo?
É isso que você quer, ser
substituído?
É isso que você tenta fazer quando a selva me traduz através dos dias quentes e nosso colorido te sufoca, conseguir esquecer meu gosto apimentado e exótico enquanto friamente engole
alguma baba insossa?
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Oração
Talvez seja hora de perdoá-los. Talvez seja hora de me perdoar.
Todos estamos fazendo nosso melhor, afinal. Queremos apenas
sobreviver. Estamos todos no mesmo barco.
Não, a vida não me deve nada.
E se eu não puder amar, devo ao menos honrar os outros, assim como
eles são. Talvez seja hora de parar de exigir melhoras, parar de exigir
evolução deles. Talvez tudo o que eles possam fazer, já tenham feito. E se eu quiser
prosseguir, que eu prossiga, sem tirá-los do meu coração por isso.
Talvez seja
hora de honrá-los com suas escolhas e defeitos. Seguindo ou não, devo
honrá-los, assim como eles são.
Talvez seja a hora de amar a mim mesma dessa mesma forma.
Talvez
eu deva ter esse olhar para com todos.
E amar, transbordar amor, sem me
preocupar com o retorno, sem me humilhar, nem me trair. Deixar o amor fluir
livre por mim, sem máscaras, boas ou más. Deixar que a verdade seja minha justa
medida. Que o amor seja minha constante mudança.
Que eu possa lembrar disso quando eu mais precisar, quando tudo o
que eu quiser seja mudar o outro, quando eu for dura demais comigo mesma.
Que
essa realidade esteja sempre à superfície, para que eu possa pegá-la a qualquer
momento.
Que eu possa perdoar.
Que eu me permita fluir livremente, que eu
enriqueça com toda a diversidade da vida e das pessoas.
Que eu sempre possa
aprender algo novo, e também ensinar.
Que eu possa ser mais colorida ao sair
dessa vida, tingida por todas as nuances possíveis.
Que eu não tenha medo, que
eu não queira me poupar. Que eu lembre sempre que viver é vivenciar. Que é
justamente essa a intenção, o propósito é se arriscar.
Que eu tenha coragem
para me entregar, a cada momento, a cada pessoa, a cada impulso do meu coração.
Que eu possa oferecer minha vida como um presente a mim mesma.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Estritamente Necessário
Porque de agora em diante eu só te escrevo o estritamente necessário
Portanto é estritamente necessário dizer que seu gosto está na minha boca
É estritamente necessário dizer que estou confusa e com medo, que quero partir e ficar... ao mesmo tempo
e que isso fere a lei da não-contradição!
É estritamente necessário contar o quanto seu sorriso me alegra. Sua presença me enche de paz e assombro
Lei da não-contradição!
É estritamente necessário ressaltar que irei me comportar essa semana e só te escreverei o estritamente necessário!
Portanto é estritamente necessário dizer que seu gosto está na minha boca
É estritamente necessário dizer que estou confusa e com medo, que quero partir e ficar... ao mesmo tempo
e que isso fere a lei da não-contradição!
É estritamente necessário contar o quanto seu sorriso me alegra. Sua presença me enche de paz e assombro
Lei da não-contradição!
É estritamente necessário ressaltar que irei me comportar essa semana e só te escreverei o estritamente necessário!
Guerreira
Sou uma guerreira e só conheço a paz no meio da guerra. Conheço-me tão bem que às vezes preferiria não conhecer, e por isso também às vezes me engano tanto. Reconheço em mim mesma toda amargura e sede de sangue que traça a história da humanidade. Reconheço-me em toda história de amor e sacrifício também. Vislumbro toda doçura e encanto, esses que me metem mais medo que a própria guerra.
Todo soldado festeja a guerra porque sabe que terá lugar, utilidade, esse é seu chão, seu costume. Para ele a doçura fere mais que a espada. E eu reconheço em mim toda essa dor, clamando por crueldade; clamando por algo com que saiba lidar. Porque a beleza e a paz me confundem; sinto-me fraca e vulnerável. E então, eu sinto a vida, em toda sua cor, na carne exposta... minha alma se dilata dolorosamente, sinto que não terei forças para suportar tamanha sutileza e clamo por batalha.
O cheiro enferrujado de sangue é ao que estou acostumada. O cheiro das flores me encantam num primeiro momento, para logo me derrubar. Quando dou por mim, qualquer inseto me pisa. O amor me torna tão mansa que sinto vergonha. Que seja ego! Tudo que eu sei é sobre a frieza das batalhas. Tudo o que conheço é quanto sou ferida quando abro a guarda. Toda regra se resume em "era eu ou ele".
Por que vivo pedindo por situações com as quais não vou saber lidar?
Dizem que escolhi essa vida. E se foi assim, essa foi mais uma escolha precipitada. Precipitada não, mas mal pensada talvez. Eu até faço as escolhas com clareza, mas depois, chegada a hora, me dou conta da armadilha que armei para mim mesma. Achava que agiria melhor quando chegasse a hora. Achei que teria maturidade suficiente, mas não tenho.
O amor me apavora!
Todo soldado festeja a guerra porque sabe que terá lugar, utilidade, esse é seu chão, seu costume. Para ele a doçura fere mais que a espada. E eu reconheço em mim toda essa dor, clamando por crueldade; clamando por algo com que saiba lidar. Porque a beleza e a paz me confundem; sinto-me fraca e vulnerável. E então, eu sinto a vida, em toda sua cor, na carne exposta... minha alma se dilata dolorosamente, sinto que não terei forças para suportar tamanha sutileza e clamo por batalha.
O cheiro enferrujado de sangue é ao que estou acostumada. O cheiro das flores me encantam num primeiro momento, para logo me derrubar. Quando dou por mim, qualquer inseto me pisa. O amor me torna tão mansa que sinto vergonha. Que seja ego! Tudo que eu sei é sobre a frieza das batalhas. Tudo o que conheço é quanto sou ferida quando abro a guarda. Toda regra se resume em "era eu ou ele".
Por que vivo pedindo por situações com as quais não vou saber lidar?
Dizem que escolhi essa vida. E se foi assim, essa foi mais uma escolha precipitada. Precipitada não, mas mal pensada talvez. Eu até faço as escolhas com clareza, mas depois, chegada a hora, me dou conta da armadilha que armei para mim mesma. Achava que agiria melhor quando chegasse a hora. Achei que teria maturidade suficiente, mas não tenho.
O amor me apavora!
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
A Galope
E de repente, a dor vem a galope. Toma-me. Arrebata-me. Mostra-me tudo aquilo que eu tento sufocar no torpor do trabalho constante.
Então me dou conta, que antes de buscar carreira e conhecimento, na minha agenda atulhada de compromissos eu buscava alívio. Alienação pessoal. Muito mais que apenas não querer, não me sobra tempo nem energia física para olhar a solidão que se instalou na minha vida; tenho desculpas suficientes em número e motivo, para continuar ignorando a linha fria de tristeza que vai costurando os meus dias.
E enquanto tudo o que eu fizer for apresentar resultados, enquanto eu continuar sendo produtiva; enquanto meu corpo aguentar e minha alma seguir oprimida, ninguém perceberá. Enquanto eu conseguir manter minha sombra escondida dos julgamentos impiedosos dos outros, tudo ficará bem.
Até, enquanto o grito cortante que me dilacera e me arrepia a carne, ressoar, rasgando entranhas e esperanças, e eu permanecer em silêncio... até lá, tudo ficará bem.
Então que ninguém saiba. Que seja surpreendente, como são as melhores coisas da vida.
Será que eu verei o fim desse inverno?
Então me dou conta, que antes de buscar carreira e conhecimento, na minha agenda atulhada de compromissos eu buscava alívio. Alienação pessoal. Muito mais que apenas não querer, não me sobra tempo nem energia física para olhar a solidão que se instalou na minha vida; tenho desculpas suficientes em número e motivo, para continuar ignorando a linha fria de tristeza que vai costurando os meus dias.
E enquanto tudo o que eu fizer for apresentar resultados, enquanto eu continuar sendo produtiva; enquanto meu corpo aguentar e minha alma seguir oprimida, ninguém perceberá. Enquanto eu conseguir manter minha sombra escondida dos julgamentos impiedosos dos outros, tudo ficará bem.
Até, enquanto o grito cortante que me dilacera e me arrepia a carne, ressoar, rasgando entranhas e esperanças, e eu permanecer em silêncio... até lá, tudo ficará bem.
Então que ninguém saiba. Que seja surpreendente, como são as melhores coisas da vida.
Será que eu verei o fim desse inverno?
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Feridas
Hoje cheguei a conclusão de que, por mais atraente que alguns possam ser, não tenho mais paciência com moleques. Os garotões, jovens e bobos, já não me divertem tanto. Cuidar de crianças é cansativo.
Claro que isso não me impede de acabar nos braços de algum deles, mas cria uma linha visível que separa o que é apenas diversão, de um possível envolvimento real.
Já criei uma criança, e isso me custou alegria, tempo e esperança. Não cometerei o mesmo erro duas vezes. Prefiro cometer erros novos.
Hoje prefiro dividir minhas dores com alguém que também tenha dores para contar.
Quero vivenciar o medo tangível de se abrir e confiar um no outro. A dúvida e o desejo que pairam, enquanto cautelosa e simultaneamente se observam dois animais feridos.
Claro que isso não me impede de acabar nos braços de algum deles, mas cria uma linha visível que separa o que é apenas diversão, de um possível envolvimento real.
Já criei uma criança, e isso me custou alegria, tempo e esperança. Não cometerei o mesmo erro duas vezes. Prefiro cometer erros novos.
Hoje prefiro dividir minhas dores com alguém que também tenha dores para contar.
Quero vivenciar o medo tangível de se abrir e confiar um no outro. A dúvida e o desejo que pairam, enquanto cautelosa e simultaneamente se observam dois animais feridos.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Mestres
Sempre me parece que os professores tem um tipo de prazer em constatar que os alunos não atingiram as notas máximas.
Poderia soar como sadismo e talvez algumas vezes de fato seja, mas não me refiro a esses, e sim àqueles que mesmo sendo bons professores sentem um prazer íntimo e secreto em perceber que o aluno não é tão bom assim; não tão bom a ponto de colocar em risco o próprio professor.
Acho que nenhum professor quer ser ultrapassado por seu aluno. Nenhum professor ensina tudo o que sabe, e nem deveria. Assim como um mestre não ensina e nem deve ensinar todos seus truques e golpes, mesmo ao melhor discípulo. Talvez muito menos a esse.
É claro que o professor quer que seus alunos aprendam. Isso afeta seu próprio sucesso como professor, sua própria estima e bem estar. Afinal, se nenhum aluno aprendesse, o problema seria com ele.
A questão é que sim, que os alunos aprendam, mas não tão bem a ponto de ameaçar seu status de mestre, de superioridade intelectual (ou de habilidade, destreza ou prática).
Pouquíssimos mestres abandonam o orgulho. Pouquíssimos mestres não se preocupam mais em ser ou não ameaçados por seus brilhantes alunos. Apenas se dedicam e tentam ensinar o melhor que podem. Toda ameaça simplesmente perde a razão de ser. Eles não temem mais perder o status porque já não dependem dele.
Ironicamente, são esses os mestres que permanecem inalcançáveis aos seus discípulos. São esses professores que realmente se tornam insubstituíveis.
Não é incrível que só quando a gente para de tentar ser, é que de fato se é?
Poderia soar como sadismo e talvez algumas vezes de fato seja, mas não me refiro a esses, e sim àqueles que mesmo sendo bons professores sentem um prazer íntimo e secreto em perceber que o aluno não é tão bom assim; não tão bom a ponto de colocar em risco o próprio professor.
Acho que nenhum professor quer ser ultrapassado por seu aluno. Nenhum professor ensina tudo o que sabe, e nem deveria. Assim como um mestre não ensina e nem deve ensinar todos seus truques e golpes, mesmo ao melhor discípulo. Talvez muito menos a esse.
É claro que o professor quer que seus alunos aprendam. Isso afeta seu próprio sucesso como professor, sua própria estima e bem estar. Afinal, se nenhum aluno aprendesse, o problema seria com ele.
A questão é que sim, que os alunos aprendam, mas não tão bem a ponto de ameaçar seu status de mestre, de superioridade intelectual (ou de habilidade, destreza ou prática).
Pouquíssimos mestres abandonam o orgulho. Pouquíssimos mestres não se preocupam mais em ser ou não ameaçados por seus brilhantes alunos. Apenas se dedicam e tentam ensinar o melhor que podem. Toda ameaça simplesmente perde a razão de ser. Eles não temem mais perder o status porque já não dependem dele.
Ironicamente, são esses os mestres que permanecem inalcançáveis aos seus discípulos. São esses professores que realmente se tornam insubstituíveis.
Não é incrível que só quando a gente para de tentar ser, é que de fato se é?
terça-feira, 21 de maio de 2013
A ponto de viver
- Ah, mas eu não acredito que você seja assim tão
pessimista, tão descrente da vida!...
- Da vida não. Acho a vida linda. Já achei, já achei que o
problema era esse... – apontei pensativa, e dizendo mais para mim mesma,
completei – já achei, mas descobri que o problema era outro.
Terminei olhando pros lados. Não sabia bem se queria
continuar aquela conversa.
- Então o problema é qual? - perguntou-me honesto, olhando
nos olhos.
Sabia que estava genuinamente interessado na conversa. Mas o
por quê era o mistério. Provavelmente estava interessado em mim, ou então,
parecia divertido conversar com uma mulher excêntrica. Duvido que ele realmente
estivesse se importando com a resposta. Ainda assim respondi, depois de um
curto suspiro.
- Covardia. A gente não quer se arriscar a ponto de viver. A
gente deseja uma vida, mas não quer correr o risco de vivenciá-la. E pra não
ser doloroso demais, pra não ter que admitir, quando alguém tem coragem de sair
do esquema, é só marca-lo de louco. É só pressioná-lo, chama-lo de incoerente,
excluí-lo. Somos uns hipócritas de merda. A gente diz que quer viver, mas se
alguém tenta, a gente não suporta, a gente precisa trazê-lo de volta à razão.
Não sei o que ele tinha achado da resposta. Sua expressão
facial continuava a mesma. Com o olhar vago, continuei.
- Um dia vou escrever um livro e vou dizer ali tudo, sem medo de que me internem por isso. Vou poder falar tudo o que não digo, e vai ter
um homem como você pra me ouvir, e como a história é minha, ele vai até me
entender.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Feras
Penso que os homens realmente sofrem. Fora o fato de ser
feminista, e de ter consciência de todas as crueldades que os homens são
capazes de impor às mulheres, crueldades essas que não tem nenhuma desculpa ou
justificativas válidas, cada vez mais percebo que os homens também sentem; e além disso: eles sofrem.
Muito se diz sobre as pressões sociais feitas a eles: que
devem sustentar economicamente a família e/ou então ter um elevado nível socioeconômico;
que devem ser garanhões e sempre contar vantagens sexuais; que devem ser “machos”
e aguentar no osso do peito as mais adversas situações.
Ok, concordo que essas
são situações que podem, em certo grau, serem muito tolhedoras e repressivas.
Porém, a mesma regra que vale para nós, vale para eles, nesse ponto de vista. A
sociedade nos cobra muito mais, e ainda assim, mulheres que procuram conhecer a
si mesmas e que, dentro de certa margem de erro, se garantem (ou seja, defendem
seu ponto de vista e sabem o que querem e o que não querem) tomam atitudes no
seu dia a dia que vai na direção contrária dessas cobranças, que batem de
frente com os limites que ainda são impostos às mulheres por puro sexismo.
Lutamos diariamente, nos pequenos detalhes, para
conquistarmos maior liberdade e mantermos aquelas parcamente alcançadas. Por
que com os homens seria diferente? Ora, se as pressões sociais incomodam, à
luta companheiros! Vamos nadar contra a corrente se isso nos fizer seres mais
plenos e felizes! Que os homens mudem de atitude, procurem se investigar e
descubram quais dessas cobranças realmente fazem sentido, quais delas querem
manter em suas vidas.
E da mesma forma, que muitas de nós temos que lidar com
o machismo e o recalque de outras mulheres quando tomamos atitudes “inovadoras”,
eles também, que saibam se defender dos ataques de outros homens (ainda presos
ao conceito de “macho dominante e insensível”), tanto nas piadinhas vexatórias
quanto nas acusações mais veementes. Será que os homens, tão decididos,
objetivos e inflexíveis, não conseguem sequer defender uma opinião própria
diante dos demais? Soa, no mínimo, estranho.
Portanto, acho que essas pressões sociais, possivelmente os
fazem sofrer sim, mas a saída é fazer a mudança por si mesmo e disseminar, pelo
exemplo, novas atitudes e conceitos.
Agora (ao que interessa), acho que os homens sofrem mesmo é
com nossa feminilidade. É difícil pensar em algo que os deixe mais confusos do
que nossa doçura. Sei que essa menção pode levantar uma série de questões
feministas, mas vamos mantê-las em suspenso, pelo menos por enquanto.
Acredito que muitos dos ataques sociais às mulheres venham
exatamente daí. E não, isso não é uma justificativa para tal. Ainda assim, essa
me parece ser a causa principal. Para os homens é difícil entender como podemos
ser tão cúmplices umas das outras, como podemos ter relações tão estreitas
entre nós, sem que isso necessariamente implique homossexualismo, ou a perda do
individualismo. Daí, vem então, uma disseminação cruel de ideias sobre a falsa
amizade entre mulheres e suas competições estéticas. É claro, que isso pode
existir entre as mulheres, tanto quanto pode existir entre os homens! Mas de
longe, não é a regra!
As mulheres sabem ser solidárias umas com as outras, de
forma tal incompreensível aos homens que é necessário, para alguns, pensarem
que não estamos contando toda a
história, que certamente estamos escondendo
algo, porque afinal, não pode ser
assim, não podemos ter tamanha afinidade
umas com as outras! Deve ser tão doloroso, que eles precisam criar falsas
concepções para continuarem vivendo suas vidas em confortáveis (e ilusórias)
certezas.
Da mesma forma, quando nos revestimos de delicadezas, ou nos
despimos de toda a couraça que a luta por nossos direitos exige, eles
simplesmente se perdem. Alguns, se rendem, viram cavalheiros quase perfeitos e
ficam, mesmo que temporariamente, "ao seu dispor". Outros, se mostram meninos inexperientes
e inseguros (algumas vezes, meio bobocas), que não sabem o que falar ou fazer; e isso independe da idade.
Infelizmente, uma
parcela dos homens-macho, reagem da única forma primitiva que desenvolveram: violentamente.
A sutileza feminina é tão dolorosa para esses seres medievais, que eles fazem
tudo que seu limitado autoconhecimento permite: atacar; verbalmente,
fisicamente, sexualmente e hierarquicamente. Para eles, é preciso diminuir a
mulher de alguma forma, já que não entendem como
elas podem ser tão capazes e poderosas sendo de uma diferente natureza.
Tão triste quanto, é saber que poucos se conhecem o
suficiente para agirem naturalmente diante de nossa face mais yin. Mesmo esses,
devem sofrer sua parcela diante de nossas graciosidades. Nós mesmas, muitas
vezes tão distantes da feminilidade quanto alguns homens, sofremos diante da
força esmagadora que tem as atitudes delicadas.
Não quero dizer com isso que as mulheres devam ser sempre assim. Considero que conviver de
forma mais tolerante, amorosa e amigavelmente com os demais seres vivos, seja o
que de forma geral, nosso mundo mais precise. De pessoas, homens e mulheres, mais
dispostos a compartilhar, mais abertos a ouvir e entender, mais empáticos. A
meu ver, o mundo já está passando por essa mudança de energia sutil, não tão
aparente e visível nos primeiros momentos, mas igualmente avassaladora;
modificando as bases estruturais tão suavemente, que para os desavisados a
transformação se dará num “de repente”. De qualquer forma, esse é um assunto
bastante extenso, que abre muito mais conversas, e do qual não irei me deter.
Perceber essas “dores” masculinas, me permite ser também
mais honesta com eles, e comigo mesma. Saber e ver, que também eles, se sentem
inseguros, amedrontados e confusos, tira um peso tremendo das minhas costas.
Não é mais preciso se sentir todo tempo vítima de seres sem coração, nem é
preciso manter a todo tempo guarda contra os “bandidos”. Apesar de não serem príncipes
(como nós também não somos princesas), muitos renegam o papel de fera e assumem
de cara limpa os ricos personagens que de fato são.
sábado, 4 de maio de 2013
Diabo do Amor
Há duas semanas que eu penava em ler um livrinho fino. Quem diria!
Escolhi um lugar calmo, ao ar livre; um cantinho perto da saída dos fundos do Instituto; um bom lugar. Instalei-me confortavelmente, e me resignei a ler o livro, sem me levar por distrações!
Escolhi um lugar calmo, ao ar livre; um cantinho perto da saída dos fundos do Instituto; um bom lugar. Instalei-me confortavelmente, e me resignei a ler o livro, sem me levar por distrações!
Passou-se um tempo de sucesso na tarefa. Então ouvi a porta abrir. Seja lá quem tivesse saído, devia ter ficado parado, observando-me. Eu podia sentir, alguém me olhava intensamente! Decidi que manteria os olhos no pequeno livro, embora minha leitura já estivesse prejudicada. Comecei a mover os pés, inquieta com a insistência do observador. Eu estava decidida: não iria olhar! Nisso minha mente teve um lapso de calmaria e por ela passou uma imagem fugaz, seguida de um rápido pensamento: não seria muito louco se meu observador fosse ele?
Fosse quem fosse, finalmente desistiu e com passos rápidos se afastou.
Fosse quem fosse, finalmente desistiu e com passos rápidos se afastou.
O livro caiu no meu colo e minha respiração parou alguns segundos quando ergui os olhos e o vi se afastando. Era ele! Decididamente, minha leitura foi comprometida!
Não era ilusão afinal, de fato eu vi a cena toda com minha visão sutil! Era ele que me observava tão fortemente, tão calorosamente; era ele que esperava minha permissão e iniciativa para a conversa, aproximação talvez...
Posso sentir o olhar dele me queimando, me perscrutando... então eu sinto medo do que ele pode ver.
Ardente, um prazer quase doloroso. Meu corpo todo se dilata num desejo silencioso. Como eu quero esse homem! Minha desconcentração tem nome. Nome de anjo, mas ele é um diabo do amor.
Quando me olha de canto, tudo que eu posso é ser sua.
Eu só quero esse olhar, me queimando, mais e mais! Seus olhos me fitam em sonhos e não posso mais conter ou fingir.
Ardente, um prazer quase doloroso. Meu corpo todo se dilata num desejo silencioso. Como eu quero esse homem! Minha desconcentração tem nome. Nome de anjo, mas ele é um diabo do amor.
Quando me olha de canto, tudo que eu posso é ser sua.
Eu só quero esse olhar, me queimando, mais e mais! Seus olhos me fitam em sonhos e não posso mais conter ou fingir.
Quando me olha de cima, tudo que eu quero é me submeter.
Quando seus olhos brilham maliciosamente, posso sentir o fogo lambendo minha pele.
Que loucura, meu deus, que loucura!
Quando seus olhos brilham maliciosamente, posso sentir o fogo lambendo minha pele.
Que loucura, meu deus, que loucura!
Todo tempo que neguei essa atração arrebatadora, deu em nada.
Mantive a mente silenciosa, enquanto os acontecimentos me aproximavam, me induziam. Até pareciam golpes de sorte. Ou de azar.
Continuarei deixando que os acontecimentos me auxiliem, me surpreendam; deixarei meus sentimentos expostos; disponível ficarei ao fogo. Que ele me consuma, me devore.
Inteira.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Dezessete Anos
O dia era ameno, de uma brisa suave. Estávamos sentados no
banco de pedra, num recanto quase desapercebido, entre plantas
e flores. Ele permanecia com seu ar tranquilo, jovial. Um menino. O rosto tão
claro, os olhos limpos, inocentes. E por mais que me falasse de seu pessimismo,
seu doce sorriso o enganava. Tão encantador!... Um menino, apenas um menino! O
que eu estava pensando?
- Por que está tão triste? - ele perguntou suavemente, sempre tão atento...
- Você é tão jovem! Tão novo! – Coloquei as mãos sobre a boca, como em silenciosa oração. – Quando eu tinha 17 anos... – Um profundo e curto suspiro me interrompeu.
Eu sacudi
negativamente a cabeça e virei o rosto, respirando, tentando manter o
equilíbrio sobre mim mesma, mas quanto mais esforço fazia, minhas inspirações e
expirações mergulhavam-me em memórias. Tantos sonhos, tantas esperanças eu
tinha aos 17 anos! Tanta coisa perdida... O tempo agora passa impiedoso e eu já
não espero grandes coisas. Pensar que talvez eu esteja ainda mais perto do fim
do que se possa imaginar. Provavelmente doente. Mas eu nem pareço tão mal. Na
verdade, me sinto bem fisicamente, como há muito não me sentia. Estranha vida.
Engulo todo o choro. Sinto o aperto na garganta se tornar tolerável. Já posso forçar um meigo sorriso. Sei que de alguma forma ele se preocupa e que quando olha nos meus olhos pode me ver. Sabe que estou triste, mas é maduro o suficiente para respeitar a minha dor, minhas histórias e segredos. E é justamente isso que me arrebata, sua discrição. Seus pequenos gestos de gentileza lembram um verdadeiro gentleman, normalmente estranhos a um menino. Sinto-me tão a vontade do seu lado! Eu poderia amá-lo. Posso ver seu corpo suado, à meia-luz, enquanto descanso no seu peito; ofegantes, satisfeitos, enternecidos...
Eu poderia amá-lo, certamente. Mas sei que é somente um
menino, ainda crente da vida e do amor. Não teria suportes para sustentar uma
forte paixão, nem suas dores. Não suportaria meus dias sombrios. Seria
envenenado por minha tristeza. Não. Tenho por ele imenso carinho. Não serei eu
que o farei um homem.
sexta-feira, 29 de março de 2013
Veneno
Grande parte
das vezes, tento me mostrar assertiva, paciente. Tenciono a mostrar em público
a mulher justa e benevolente que também sou. Salvo algumas vezes em que, fervido, o veneno borbulha e sobe, escorrendo pela boca.
Até na escrita
me refreio. E é também na literatura que me salvo, que me resguardo; amante
secreta das terríveis personagens, aquelas fortes de personalidade, impossíveis
de passarem despercebidas. Os vilões bem humorados e inteligentes; os sádicos
que sabem tão bem expressar sentimentos; os falsos que cativam pela perspicácia
e atuação; os amargurados que jamais perdoam; os loucos e brilhantes; os
insanos obstinados; os mocinhos vingativos; os misteriosos sedutores; e
finalmente, os órfãos, todos tão duais.
Através da
escrita geniosa de outros autores, me permito rir da miséria humana; vingar-me
engenhosamente; assistir, sem piscar, a derrota do inimigo; licantropicamente
rugir com toda fúria; rir insanamente; matar-me e salvar-me, quantas vezes
forem preciso.
Tanta maldade
reunida não faria sentido se isolada. O terror pelo terror simplesmente, não
atrai. É preciso a sagacidade dos bons suspenses. É preciso, como já disse, das
personagens singulares.
E eu me
pergunto se não é toda essa estupidez que me falta, pelo menos nos escritos. Se
não é pelo emendo das palavras que posso destilar, de forma fecunda e
construtiva, e assim, limpar minha circulação da toxina que me consome.
Pergunto-me o quanto de perverso tem um bom escritor.
quarta-feira, 6 de março de 2013
Abobalhada
Eu não entendo o que é que isso quer dizer
Porque é que eu ando tão abobalhada
Só sei que o amor
Com sua energia sutil
Fez do meu peito morada
O que você acha?
Tô virando poeta de novo...
Era só o que me faltava!
A essa altura do campeonato
Ficar apaixonada?!
Razão, volta depressa
Senão
Temo começar a cuspir pétalas!
Já tô ficando enjoada
Tanta doçura, estraga!
P.S. Foi saindo assim... Acho que eu precisava vomitar todo o açúcar! :P
Porque é que eu ando tão abobalhada
Só sei que o amor
Com sua energia sutil
Fez do meu peito morada
O que você acha?
Tô virando poeta de novo...
Era só o que me faltava!
A essa altura do campeonato
Ficar apaixonada?!
Razão, volta depressa
Senão
Temo começar a cuspir pétalas!
Já tô ficando enjoada
Tanta doçura, estraga!
P.S. Foi saindo assim... Acho que eu precisava vomitar todo o açúcar! :P
terça-feira, 5 de março de 2013
segunda-feira, 4 de março de 2013
Toda Doçura
Acho lindo o amor!
Toda a força de um amor doce.
Porque tristezas e dificuldades todo mundo tem. Mas agora, passar por tudo e ainda exalar doçura?! Ah!... Isso é pra poucos, pros fortes!
Acho o amor muito lindo!
Só não acho que seja pra mim.
Se eu tentar ser doce, vou cair pro outro lado. Vou ficar triste, mimada, pedente, carente, egoísta, ridícula, fraca. Serei fraca.
E eu prefiro ser forte. Sair quebrando tudo.
E seguir. Caminhar, fazer, agir, continuar.
Prefiro ser forte... E amar, assim às avessas.
Toda a força de um amor doce.
Porque tristezas e dificuldades todo mundo tem. Mas agora, passar por tudo e ainda exalar doçura?! Ah!... Isso é pra poucos, pros fortes!
Acho o amor muito lindo!
Só não acho que seja pra mim.
Se eu tentar ser doce, vou cair pro outro lado. Vou ficar triste, mimada, pedente, carente, egoísta, ridícula, fraca. Serei fraca.
E eu prefiro ser forte. Sair quebrando tudo.
E seguir. Caminhar, fazer, agir, continuar.
Prefiro ser forte... E amar, assim às avessas.
domingo, 3 de março de 2013
Fogo Alquímico
Estou lendo o livro O Tempero da Bruxa, de Maria Silvia P. Orlovas, que fala sobre magia e culinária, e o quanto essas coisas estão relacionadas. O quanto cozinhar mexe com nossas emoções... Nosso poder inato de alquimia.
Já li em algum lugar sobre feng shui, que o fogão é o coração da casa, da cozinha...
Lembrei-me dos meus primeiros anos de casada. Eu sentia tanto prazer em cozinhar! Criar receitas, misturar temperos, cheiros, sabores... O processo de ver a comida se transformar através das minhas mãos e alegrar as pessoas que eu amava me enchia de uma satisfação única!
Lembro também, que já não conseguia chegar perto da cozinha no último ano de casamento... Aquilo me enchia de tédio e irritação.
Depois da separação minha maior preocupação era tirar o forno elétrico que eu tanto usava de dentro de casa. Vender, dar, pouco importava; só queria tirar ele da minha vista. O fogão virou objeto de decoração. Até hoje, e lá se vão um ano e meio, nunca mais usei meu fogão, salvo as poucas vezes em que esquentei uma água pro chá, ou um leite pro café.
Nunca mais cozinhei. Nem pra mim, nem para os outros. Habituei-me a alimentos frios, que saem direto da geladeira para o prato, lanches e frutas. Aproveito para comer refeições quentes quando vou a restaurantes e quando visito parentes.
Ainda não entendi direito o que essa mudança significa, mas tenho pensado nisso ultimamente. Os sentimentos me invadem e tento estabelecer relações. Será que me tornei uma pessoa vazia? Será que meu coração também se gelou?
A consciência de que apenas eu mesma posso me completar e me amar verdadeiramente; que apenas eu mesma sou capaz de alimentar o amor que eu quero e mereço, trouxe plenitude para minha vida! Não preciso esperar por ninguém. Já divido minhas experiências, os pequenos milagres do dia a dia, minhas derrotas e conquistas com alguém que me entende e cuida de mim, cada vez mais. Sempre fui completa.
E agora, há poucas semanas, me vem esse questionamento. Essa voz longe, que de vez em quando sussurra, perguntando-me se eu ainda sei dividir, se eu ainda sei me doar.
Rebato: Se todos somos completos, qual a necessidade de compartilhar-se com o outro? Por que conviver com alguém, que naturalmente, não pode me acrescentar?
A fraca voz silencia e sorrio aliviada.
É claro que quero investigar-me a fundo, foi minha escolha consciente. Quero rasgar-me em meio ao fogo do conhecimento e ressurgir fortalecida a cada monstrinho exorcizado.
Porém, vamos devagar. Por favor.
domingo, 27 de janeiro de 2013
BIXO UFRGS 2013!
Hoje quando peguei um livro e comecei a dar uma lida sobre filosofia hindu, pude ouvir a voz da minha amiga Emely dizendo: "pensar que agora a gente vai poder estudar o que gosta!"... Cara, senti um arrepio!
Não, não caiu a ficha ainda! Talvez seja por isso que, apesar de ter passado no vestibular, o medo persiste. Medo! Medo do desconhecido.
Desde o tempo que eu me apaixonei por filosofia, há uns dez anos, inspirada pela Inês, a "tia" da biblioteca da escola, que eu tenho que largar meus livros de filosofia para ir estudar... ou parar de ficar "viajando" sobre quem somos e de onde viemos para me concentrar nos clientes que precisavam ser atendidos no caixa... Pensar que agora meu hobby passou a ser atividade oficial... Oi?!?! Como assim?! É louco! rsrsrs
É claro que nem tudo serão rosas. E é natural que seja assim. Mas honestamente, quero ser, como disse Oriah Mountain Dreamer no seu livro O Convite: "capaz de conviver com a alegria e deixar o êxtase penetrar até a ponta dos seus dedos, sem nos advertir que sejamos cuidadosos, que sejamos realistas, que nos lembremos das limitações da condição humana"...
Demorei muito para iniciar esse sonho, até demais! Mas agora é com tudo, é mergulho de cabeça!
Então para os meus amigos e amigas que não passaram esse ano, agora é manter a calma e depois investigar os motivos: Será que é isso mesmo que eu quero, de coração? Se é, porque eu não me permito?
Posso até estar falando alguma bobagem, mas com todos os tombos que já tive na vida e com o pouco que aprendi, parece que tudo acontece mesmo por algum motivo!
Acho que esse aperto no peito só vai passar quando as aulas começarem. Ou não.
Vai ver é isso que me move. Essa inquietação, essa busca por um não sei o que, essa vontade de voltar pra algum lugar... Talvez seja esse o meu estado de graça, dar todos meus erros e medos de alimento à minha coragem.
domingo, 6 de janeiro de 2013
De Rêve
Já fazia tempo que ele tinha ido embora. Eu ainda sofria.
Mas junto a nós, já morava um amigo muito querido e fiel.
Naquela madrugada, eu chorei e a dor no meu peito se abriu. Não conseguia dormir.
Meu amigo veio. Não disse nada, apenas segurou a minha dor. Quando me acalmei, ele ajudou-me a deitar e depois se deitou ao meu lado, abraçou-me e cobriu-me. Me senti em paz. Eu estava aconchegada em seus braços e queria muito agradecer. Ele tinha os olhos fechados, sua boca perto da minha... Dei-lhe um beijo suave. Foi tão bom, tão natural que dei outro e então, ele ainda de olhos fechados, reagiu, me beijando suavemente também. Continuávamos abraçados.
Quando de repente a realidade do que estava acontecendo e o sincero desejo o fez abrir os olhos, se mover um pouco para poder me ver melhor. Segurou meu rosto com as duas mãos e seus olhos procuravam em mim alguma resposta: O que tinha sido aquilo? Quais eram as minhas reais intenções?
Não sei o que ele viu. Eu estava tão surpresa, tão tocada e vulnerável quanto ele!
Foram alguns segundos. Então, dentro de todo o espanto e doçura, ele me beijou apaixonadamente, ainda segurando meu rosto em suas mãos, para logo depois me enlaçar, comprimindo meu corpo no seu e me beijando agora de forma profunda.
Nenhuma palavra foi trocada. Não havia necessidade.
Acordamos com a claridade cinza do dia, através das altas paredes de vidro.
Alguém já nos chamava. Era preciso ajudar na realização da reunião. Dessa vez era um grande evento, significativo. Não eram apenas negócios, eram sobre vida!
Não era estranho pra ninguém quando dormíamos juntos, éramos amigos de tempo, sinceros e fiéis. Além do que, há muito eu procurava um novo amor. Porem, naquela manhã, quando nos chamaram e a correria normal do dia invadiu nosso quarto, estávamos mais serenos e alegres que o normal. Ninguém percebeu, concentrados em seus afazeres. Apenas nos olhamos, cúmplices, e sorrimos.
Não éramos mais os mesmos. Agora existia um amor maior que antes... e desejo. E cada vez que trocávamos ideias durante o dia, pois trabalhamos nos preparativos praticamente juntos; cada vez que nos olhávamos, essa troca de energia era palpável, intensa, mágica! Embaçou minha visão física e tudo o mais ficou colorido.
Eu só pensava: "Não consigo acreditar! Passei tanto tempo procurando, encontrando homens que não me diziam nada, e o meu amor estava ao meu lado todo esse tempo?... Ele é um pouco parecido mas não tão bonito quanto o outro. Mas a verdade é que eu nunca senti nada assim... É embriagador!"
Ajudei-o com o figurino. "Está um príncipe!... Meu príncipe."
Nos olhamos e tudo estava dito.
Mas junto a nós, já morava um amigo muito querido e fiel.
Naquela madrugada, eu chorei e a dor no meu peito se abriu. Não conseguia dormir.
Meu amigo veio. Não disse nada, apenas segurou a minha dor. Quando me acalmei, ele ajudou-me a deitar e depois se deitou ao meu lado, abraçou-me e cobriu-me. Me senti em paz. Eu estava aconchegada em seus braços e queria muito agradecer. Ele tinha os olhos fechados, sua boca perto da minha... Dei-lhe um beijo suave. Foi tão bom, tão natural que dei outro e então, ele ainda de olhos fechados, reagiu, me beijando suavemente também. Continuávamos abraçados.
Quando de repente a realidade do que estava acontecendo e o sincero desejo o fez abrir os olhos, se mover um pouco para poder me ver melhor. Segurou meu rosto com as duas mãos e seus olhos procuravam em mim alguma resposta: O que tinha sido aquilo? Quais eram as minhas reais intenções?
Não sei o que ele viu. Eu estava tão surpresa, tão tocada e vulnerável quanto ele!
Foram alguns segundos. Então, dentro de todo o espanto e doçura, ele me beijou apaixonadamente, ainda segurando meu rosto em suas mãos, para logo depois me enlaçar, comprimindo meu corpo no seu e me beijando agora de forma profunda.
Nenhuma palavra foi trocada. Não havia necessidade.
Acordamos com a claridade cinza do dia, através das altas paredes de vidro.
Alguém já nos chamava. Era preciso ajudar na realização da reunião. Dessa vez era um grande evento, significativo. Não eram apenas negócios, eram sobre vida!
Não era estranho pra ninguém quando dormíamos juntos, éramos amigos de tempo, sinceros e fiéis. Além do que, há muito eu procurava um novo amor. Porem, naquela manhã, quando nos chamaram e a correria normal do dia invadiu nosso quarto, estávamos mais serenos e alegres que o normal. Ninguém percebeu, concentrados em seus afazeres. Apenas nos olhamos, cúmplices, e sorrimos.
Não éramos mais os mesmos. Agora existia um amor maior que antes... e desejo. E cada vez que trocávamos ideias durante o dia, pois trabalhamos nos preparativos praticamente juntos; cada vez que nos olhávamos, essa troca de energia era palpável, intensa, mágica! Embaçou minha visão física e tudo o mais ficou colorido.
Eu só pensava: "Não consigo acreditar! Passei tanto tempo procurando, encontrando homens que não me diziam nada, e o meu amor estava ao meu lado todo esse tempo?... Ele é um pouco parecido mas não tão bonito quanto o outro. Mas a verdade é que eu nunca senti nada assim... É embriagador!"
Ajudei-o com o figurino. "Está um príncipe!... Meu príncipe."
Nos olhamos e tudo estava dito.
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