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Carta-Poema II

Eu me perdoo. Por todas às vezes que eu disse que não ia e fui. Por todas as palavras contraditas Por todas as ações julgadas e incompre...

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Eu vejo você (I see you)

Eu posso ver em você toda a bondade e a doçura que enternecem meu coração.
A capacidade de sentir e se expandir na dor e na alegria, tornando-se mais profunda e terna.
Vejo em você a coragem de prosseguir, de tentar de novo e de novo, uma vez mais.

Eu admiro sua crença no amor e sua capacidade de se doar.
Sua beleza delicada, assim como seu porte altivo e sua presença marcante, me apaixonam.
Me ilumino com a luz que irradia da sua alegria.
Eu vejo sua essência em cada doce sorriso, em cada saudação sincera.

Seu amor profundo pela vida na terra, pela natureza e os animais me cativam.
Sua força em ouvir e animar os amigos; em afirmar às crianças que um mundo melhor é possível, mesmo quando você mesma não tem mais tanta certeza; a compaixão pela criança que um dia você foi e que consegue estender a todas aquelas que cruzam seu caminho.
Eu vejo em você.
O poder de perdoar.
De consolar a si mesma e erguer-se quando é hora de seguir.

Vejo quando a dor transpassa sua alma e você cai.
Quando você se sente tão fraca a ponto de desistir.
Quando a vida se torna cinza e a solidão é um silêncio aterrador.
Quando o medo e o cansaço te tornam confusa e você reage com raiva.
Quando você corre, porque esse é o jeito que você sabe fazer.
Eu sei quem você é através de todas suas defesas.

Eu quero te acolher quando vejo seu desespero.
Te aquecer com meu calor, quando o inverno da vida te torna fria e insensível.
Eu quero te lembrar do meu amor por você.

Tudo bem, não precisa mudar.
Quem você é, é o suficiente.
Eu posso ver.
Posso ver tudo daqui.
Posso me ver em você, quando você permite esse encontro, seja no centro macio do coração ou nos seus olhos refletidos no espelho.





segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Moira

Penso, às vezes, que nunca terei paz.
Meu passado me assombra.
Uma cicatriz que me entrega,
me delata.
Jamais serei feliz

uma voz da infância me diz:
ninguém nunca te quis
e o pior é não conseguir
duvidar dessa verdade
não conseguir calar
os sussurros da memória.


Uma prisioneira na teia do destino
formada pelas linhas das Moiras
em minha mente.










segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Tempos Loucos

Hoje faz um mês que me mudei. Eu sinto medo de um futuro ruim. Sinto saudades nem sei de quê. O mundo anda de cabeça pra baixo. Tirania, violência, corrupção, greves, protestos, homofobia, sexismo... A cidade está um caos. É provável que seja assim neste ano de Copa e Eleições. Sinto-me cansada e triste.

Toda confusão lá fora reflete e alimenta minha confusão interna, e vice e versa. Na verdade, eu andava muito, muito feliz, capaz de enxergar na vida, na minha vida uma beleza ofuscante, arrebatadora! Mas tudo pra mim acontece muito rápido. As coisas mudam velozmente e ultimamente eu tenho tentado curtir os acontecimentos um pouco mais, mas tudo ainda acontece muito rápido. E eu espero que seja assim. E quando não é, sinto minha esperança se esvaindo, atrás de uma paciência que há muito já foi embora. 

Eu mal consigo esperar que tudo aconteça. Uma fome que parcamente esconde meu medo de não vivenciar essa vida de forma suficiente. Temo não conseguir caminhar, ficar parada no caminho, então saio em disparada. Percebo minha respiração acelerando, tudo vai passando como um borrão, vou perdendo as forças, sem conseguir lembrar pra onde estou indo, sem enxergar direito onde vou. Tenho informações suficientes pra saber que eu deveria diminuir o passo; eu devia controlar meu impulso louco de correr e correr, buscando (às vezes fugindo de) uma saída. Mas ninguém pode correr sempre. Talvez o cara do Forrest Gump. 

Não acredito que correr seja uma boa solução. Mas é a que eu conheço. E que em muitas vezes salvou minha alma ferida. Eu quero aprender coisas novas, quero cuidar de mim mesma, poder olhar minhas escolhas com atenção antes que a vida me obrigue a isso. Mas velhos hábitos são difíceis de mudar. Além de perseverança, eles levam tempo. Todo o tempo que me angustio em perder. E quanto, quanto tempo mais leva pra curar tudo? Quanto tempo mais pra ser uma boa pessoa? Quanto tempo até aprender a caminhar e apreciar a paisagem? Quanto tempo mais até eu me amar? Quanto tempo eu ainda tenho?
Dá tempo?