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Carta-Poema II

Eu me perdoo. Por todas às vezes que eu disse que não ia e fui. Por todas as palavras contraditas Por todas as ações julgadas e incompre...

sexta-feira, 29 de março de 2013

Veneno


Grande parte das vezes, tento me mostrar assertiva, paciente. Tenciono a mostrar em público a mulher justa e benevolente que também sou. Salvo algumas vezes em que, fervido, o veneno borbulha e sobe, escorrendo pela boca.

Até na escrita me refreio. E é também na literatura que me salvo, que me resguardo; amante secreta das terríveis personagens, aquelas fortes de personalidade, impossíveis de passarem despercebidas. Os vilões bem humorados e inteligentes; os sádicos que sabem tão bem expressar sentimentos; os falsos que cativam pela perspicácia e atuação; os amargurados que jamais perdoam; os loucos e brilhantes; os insanos obstinados; os mocinhos vingativos; os misteriosos sedutores; e finalmente, os órfãos, todos tão duais.

Através da escrita geniosa de outros autores, me permito rir da miséria humana; vingar-me engenhosamente; assistir, sem piscar, a derrota do inimigo; licantropicamente rugir com toda fúria; rir insanamente; matar-me e salvar-me, quantas vezes forem preciso.

Tanta maldade reunida não faria sentido se isolada. O terror pelo terror simplesmente, não atrai. É preciso a sagacidade dos bons suspenses. É preciso, como já disse, das personagens singulares.

E eu me pergunto se não é toda essa estupidez que me falta, pelo menos nos escritos. Se não é pelo emendo das palavras que posso destilar, de forma fecunda e construtiva, e assim, limpar minha circulação da toxina que me consome. Pergunto-me o quanto de perverso tem um bom escritor.








quarta-feira, 6 de março de 2013

Abobalhada

Eu não entendo o que é que isso quer dizer
Porque é que eu ando tão abobalhada
Só sei que o amor
Com sua energia sutil
Fez do meu peito morada

O que você acha?
Tô virando poeta de novo...
Era só o que me faltava!

A essa altura do campeonato
Ficar apaixonada?!

Razão, volta depressa
Senão
Temo começar a cuspir pétalas!

Já tô ficando enjoada
Tanta doçura, estraga!



P.S. Foi saindo assim... Acho que eu precisava vomitar todo o açúcar! :P

terça-feira, 5 de março de 2013

segunda-feira, 4 de março de 2013

Toda Doçura

Acho lindo o amor!
Toda a força de um amor doce.
Porque tristezas e dificuldades todo mundo tem. Mas agora, passar por tudo e ainda exalar doçura?! Ah!... Isso é pra poucos, pros fortes!

Acho o amor muito lindo!
Só não acho que seja pra mim.
Se eu tentar ser doce, vou cair pro outro lado. Vou ficar triste, mimada, pedente, carente, egoísta, ridícula, fraca. Serei fraca.

E eu prefiro ser forte. Sair quebrando tudo.
E seguir. Caminhar, fazer, agir, continuar.
Prefiro ser forte... E amar, assim às avessas.


domingo, 3 de março de 2013

Fogo Alquímico


Estou lendo o livro O Tempero da Bruxa, de Maria Silvia P. Orlovas, que fala sobre magia e culinária, e o quanto essas coisas estão relacionadas. O quanto cozinhar mexe com nossas emoções... Nosso poder inato de alquimia.
Já li em algum lugar sobre feng shui, que o fogão é o coração da casa, da cozinha...

Lembrei-me dos meus primeiros anos de casada. Eu sentia tanto prazer em cozinhar! Criar receitas, misturar temperos, cheiros, sabores... O processo de ver a comida se transformar através das minhas mãos e alegrar as pessoas que eu amava me enchia de uma satisfação única!
Lembro também, que já não conseguia chegar perto da cozinha no último ano de casamento... Aquilo me enchia de tédio e irritação.

Depois da separação minha maior preocupação era tirar o forno elétrico que eu tanto usava de dentro de casa. Vender, dar, pouco importava; só queria tirar ele da minha vista. O fogão virou objeto de decoração. Até hoje, e lá se vão um ano e meio, nunca mais usei meu fogão, salvo as poucas vezes em que esquentei uma água pro chá, ou um leite pro café.
Nunca mais cozinhei. Nem pra mim, nem para os outros. Habituei-me a alimentos frios, que saem direto da geladeira para o prato, lanches e frutas. Aproveito para comer refeições quentes quando vou a restaurantes e quando visito parentes.

Ainda não entendi direito o que essa mudança significa, mas tenho pensado nisso ultimamente. Os sentimentos me invadem e tento estabelecer relações. Será que me tornei uma pessoa vazia? Será que meu coração também se gelou?

A consciência de que apenas eu mesma posso me completar e me amar verdadeiramente; que apenas eu mesma sou capaz de alimentar o amor que eu quero e mereço, trouxe plenitude para minha vida! Não preciso esperar por ninguém. Já divido minhas experiências, os pequenos milagres do dia a dia, minhas derrotas e conquistas com alguém que me entende e cuida de mim, cada vez mais. Sempre fui completa.

E agora, há poucas semanas, me vem esse questionamento. Essa voz longe, que de vez em quando sussurra, perguntando-me se eu ainda sei dividir, se eu ainda sei me doar.
Rebato: Se todos somos completos, qual a necessidade de compartilhar-se com o outro? Por que conviver com alguém, que naturalmente, não pode me acrescentar?
A fraca voz silencia e sorrio aliviada.

É claro que quero investigar-me a fundo, foi minha escolha consciente. Quero rasgar-me em meio ao fogo do conhecimento e ressurgir fortalecida a cada monstrinho exorcizado.
Porém, vamos devagar. Por favor.