Tu viu meu vício, minha beleza e dor. Ensina-me a me amar.
Quando irei assumir minha arte? Minha bebida, meu cigarro? É o mundo que está errado?
Quando assumirei tudo o que me atrai, toda sujeira desse mundo que me desperta?
Quando anjo sonho em ser diabo, mas quando endemoniada nem me reconheço; rezo então para que nenhum conhecido apareça, enquanto de tanto prazer me esqueço.
Donde estás, amor? Fui eu que me escondi? De tantas máscaras, nem me suspeita?
Quando a pele sentirei em liberdade? Ainda nessa vida me permitirei?
Há sempre tantos talvez, e mais alguém de quem me esconder. De quem são os sentimentos que protejo? Por que me importa tanto esses canalhas?
Importa-me? Enoja-me essa deslealdade; a esses porcos me primo, a mim mesma me nego. Que maldição me persegue?
Chega, chega, basta de torturas!
E se quero ser essa desregrada dos meus sonhos, das minhas noites particulares, é essa sensata que me consome.
Até quando serei duas, serei mais? Seria essa minha natureza, multiversada?
Eu é que sou melindrada, que o mundo nem se espanta mais com coisa alguma! Nem me veem os olhos do mundo. E já que ninguém me vê, por que não ser eu mesma? Aquela abusada que já sou esgueirando-se pelas sombras... Donde estás, amor, para que me permitas?
Donde estás? No rosto que me nego olhar? No beijo que me recuso dar? No êxtase de loucura que não me deixo entregar? Donde estás?
E tu, que me vistes antes da chama apagar, que me dizes? Haverá outro homem que me amará?
Haverá tempo para engolir o orgulho, para assumir-me frente quem diz me adorar? Irei entender minha loucura, abraçar minha sombra, orgulhar-me desse amor verdadeiro?
O mundo não se importa, já te disse! Basta de querer ser. Seja o animal ferido que és, deixando teu rastro de morte e vida por onde passas, seja, que logo iras curar-te, logo vês. Que a tua salvação é cair. Que é preciso morrer semente para nascer árvore.
Basta de lamúria, amor. É chegada tua, minha hora. E assim que parar de tanto drama, ainda haverá tanto pra contar!
Ainda haverá tantas histórias, que tuas lágrimas, doces e amargas, se fazem rio... fluindo para o mar eu vou te encontrar, com teu chamado angustiando meu coração, vou te encontrar... meu amor, cá estás!
"Estou cansado de chorar e não amanhece / Já não sei se te maldizer ou por você rezar / Tenho medo de lhe procurar e de lhe encontrar / Onde meus amigos me dizem que você está / Há momentos em que prefiro me abrir uma fenda / E arrancar as raízes do meu sofrimento / Mas meus olhos morrem se olham nos teus / E o meu afeto, com o amanhecer, volta a lhe esperar
E por sua conta decidiu pelas festas / Pomba negra por onde, por onde você anda? / Não brinque com minha honra boêmia / Se suas carícias devem ser minhas e de ninguém mais
E embora eu te ame loucamente, não volte / Pomba Negra você é o peso do meu sofrimento / Quero ser livre para viver minha vida com quem eu queira / Deus me dá força que estou morrendo por ir buscá -la..."