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Carta-Poema II

Eu me perdoo. Por todas às vezes que eu disse que não ia e fui. Por todas as palavras contraditas Por todas as ações julgadas e incompre...

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Oração

Talvez seja hora de perdoá-los. Talvez seja hora de me perdoar.

Todos estamos fazendo nosso melhor, afinal. Queremos apenas sobreviver. Estamos todos no mesmo barco.

Não, a vida não me deve nada.

E se eu não puder amar, devo ao menos honrar os outros, assim como eles são. Talvez seja hora de parar de exigir melhoras, parar de exigir evolução deles. Talvez tudo o que eles possam fazer, já tenham feito. E se eu quiser prosseguir, que eu prossiga, sem tirá-los do meu coração por isso. 
Talvez seja hora de honrá-los com suas escolhas e defeitos. Seguindo ou não, devo honrá-los, assim como eles são.

Talvez seja a hora de amar a mim mesma dessa mesma forma. 
Talvez eu deva ter esse olhar para com todos. 
E amar, transbordar amor, sem me preocupar com o retorno, sem me humilhar, nem me trair. Deixar o amor fluir livre por mim, sem máscaras, boas ou más. Deixar que a verdade seja minha justa medida. Que o amor seja minha constante mudança.

Que eu possa lembrar disso quando eu mais precisar, quando tudo o que eu quiser seja mudar o outro, quando eu for dura demais comigo mesma. 
Que essa realidade esteja sempre à superfície, para que eu possa pegá-la a qualquer momento.

Que eu possa perdoar. 
Que eu me permita fluir livremente, que eu enriqueça com toda a diversidade da vida e das pessoas. 
Que eu sempre possa aprender algo novo, e também ensinar. 
Que eu possa ser mais colorida ao sair dessa vida, tingida por todas as nuances possíveis. 
Que eu não tenha medo, que eu não queira me poupar. Que eu lembre sempre que viver é vivenciar. Que é justamente essa a intenção, o propósito é se arriscar. 
Que eu tenha coragem para me entregar, a cada momento, a cada pessoa, a cada impulso do meu coração. Que eu possa oferecer minha vida como um presente a mim mesma.




segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Estritamente Necessário

Porque de agora em diante eu só te escrevo o estritamente necessário

Portanto é estritamente necessário dizer que seu gosto está na minha boca

É estritamente necessário dizer que estou confusa e com medo, que quero partir e ficar... ao mesmo tempo
e que isso fere a lei da não-contradição!

É estritamente necessário contar o quanto seu sorriso me alegra. Sua presença me enche de paz e assombro
Lei da não-contradição!

É estritamente necessário ressaltar que irei me comportar essa semana e só te escreverei o estritamente necessário!




Guerreira

Sou uma guerreira e só conheço a paz no meio da guerra. Conheço-me tão bem que às vezes preferiria não conhecer, e por isso também às vezes me engano tanto. Reconheço em mim mesma toda amargura e sede de sangue que traça a história da humanidade. Reconheço-me em toda história de amor e sacrifício também. Vislumbro toda doçura e encanto, esses que me metem mais medo que a própria guerra.

Todo soldado festeja a guerra porque sabe que terá lugar, utilidade, esse é seu chão, seu costume. Para ele a doçura fere mais que a espada. E eu reconheço em mim toda essa dor, clamando por crueldade; clamando por algo com que saiba lidar. Porque a beleza e a paz me confundem; sinto-me fraca e vulnerável. E então, eu sinto a vida, em toda sua cor, na carne exposta... minha alma se dilata dolorosamente, sinto que não terei forças para suportar tamanha sutileza e clamo por batalha.

O cheiro enferrujado de sangue é ao que estou acostumada. O cheiro das flores me encantam num primeiro momento, para logo me derrubar. Quando dou por mim, qualquer inseto me pisa. O amor me torna tão mansa que sinto vergonha. Que seja ego! Tudo que eu sei é sobre a frieza das batalhas. Tudo o que conheço é quanto sou ferida quando abro a guarda. Toda regra se resume em "era eu ou ele".

Por que vivo pedindo por situações com as quais não vou saber lidar?
Dizem que escolhi essa vida. E se foi assim, essa foi mais uma escolha precipitada. Precipitada não, mas mal pensada talvez. Eu até faço as escolhas com clareza, mas depois, chegada a hora, me dou conta da armadilha que armei para mim mesma. Achava que agiria melhor quando chegasse a hora. Achei que teria maturidade suficiente, mas não tenho.
O amor me apavora!