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Carta-Poema II

Eu me perdoo. Por todas às vezes que eu disse que não ia e fui. Por todas as palavras contraditas Por todas as ações julgadas e incompre...

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Em Silêncio


No início, meu silêncio foi tarefa árdua, mas muitas vezes ele agora é meu refúgio.

Acredito que ninguém tenha ficado feliz com nenhuma das tragédias, seja em Minas Gerais, em Paris, ou mesmo da mulher que se jogou da ponte ontem aqui em Floripa.

Acontece que eu trabalho com o público, lido com as pessoas nas horas em que elas acham que não estão sendo vistas, quando grande parte delas se sente superior e no direito de falar, perguntar ou exigir o que bem entendem, por estarem lidando com um mero empregado que existe apenas para servi-las porque estão pagando.

Das últimas atitudes mais curiosas, estão:

- Um homem que chegou no meu caixa reclamando da Dilma com um amigo. Ele falava da situação econômica do país, do jeitinho brasileiro de levar vantagem. O troco era de R$0,42. Devolvi quarenta centavos, e ele me pediu os outros dois. Pedi que esperasse um minuto para que eu pegasse moedas de um centavo com a fiscal, mas ele se sentiu profundamente indignado por ter de esperar um minuto, já que eu poderia dar a ele uma moeda de cinquenta centavos. Já tinha até fechado minha gaveta, então teria que esperar pela fiscal de qualquer forma, mas nem tive tempo de explicar, o cidadão me chamou de todas as coisas e no fim me mandou a merda.

- Outro dia estava empacotando as compras de uma mulher, quando subitamente ela me olha e pergunta "Você votou na Dilma?". Fiquei pensando se devia ou não responder. "Sim". "Não acredito", ela disse indignada. "Dentre as outras opções ela me parecia a melhor", foi minha resposta final, enquanto ela terminava de esbravejar suas conclusões políticas.

- Ontem elogiei o colar de outra mulher. Era uma imagem de Nossa Senhora em prata. "Você é católica?", perguntou ela. Respondi que fui criada no catolicismo mas que não seguia mais a religião. Então ela me perguntou se eu era evangélica, respondi que não. "Mas de que religião tu é?", respondi que não sigo nenhuma religião e ela começou a rir de forma sarcástica, "Seria melhor até ser evangélica do que não ser nada".

Existem outras situações:
Como quando alguns clientes querem cada item comprado em uma sacola de plástico reforçado com outras duas sacolinhas, porque estão pagando.
Ou como os donos da casa onde estávamos alugando, que quando apareceu alguém dizendo que pagaria mais por mês nos colocaram na rua, do dia pra noite, mesmo com nosso pagamento adiantado.

Nessas horas minha lógica se perde. Onde estão todas aquelas pessoas que eu vejo nas redes sociais, nas diferentes mídias, ou mesmo falando em alto tom nas ruas e ônibus que lamentam a ganância, o desrespeito, a intolerância religiosa, a destruição ambiental?

A culpa é mesmo da Dilma, dos empresários das mineradoras, dos terroristas? Será mesmo?? Será que as grandes tragédias não refletem as pequenas formas que encontramos de espezinhar os outros seres, todos os dias, em cada canto do mundo??

Não acredito mais em vítimas, e sendo assim, nem em culpados.
Não assisto mais tv nem leio jornais. Tudo tem soado como uma grande insanidade.

Eu me recolho no silêncio. Admiro a coragem daqueles que ainda querem ser pais e mães e dos seres que ainda virão para essa terra.
Tento lembrar que a escuridão é apenas a falta de luz. Que cada um enxerga como pode. E que o sofrimento quando é demais transborda. Assim como a alegria. Acredito então que o que me resta é agir e ser coerente, íntegra e verdadeira com alegria. Na dúvida, na falta, no mais, silêncio. Apenas silêncio.







quarta-feira, 16 de setembro de 2015

"Será mesmo amor?" E outros posts semelhantes...

Faz tempo que tenho mantido minhas opiniões só para mim, mas preciso dizer que já li muita coisa sobre "o que é amar", MUITA!
Achei que se pesquisasse muito eu entenderia mais sobre o assunto, que saberia identificar o que sinto ou o que vivo.
Achava mesmo que estava aprendendo alguma coisa.

No fundo esses textos só me deixavam mais confusa.
Ficava questionando a categoria dos meus sentimentos e o dos outros também, e com isso eu me perguntava o quanto realmente estava vivendo o amor, ou a paixão, etc.
Mais uma das coisas que tentamos controlar e categorizar, mas sabe, hoje leio esses textos e sei que tudo isso é lixo. Desculpa aí, mas é lixo. Nada pessoal.

O amor não segue nenhuma regra. Nenhuma.
"Ai, isso não é amor, é outra coisa"... Quem sabe?
Quem realmente pode dizer o que é ou não amor? Quem tem tanta autoridade?

O máximo que se pode fazer é dizer o que funcionou para aquela pessoa naquela situação.
E o que funciona ou não, o que você precisa entender, será aprendido na prática.
Bons textos ajudam a saber quem se é, mas nenhum te prepara para a vida "de verdade", para o dia a dia, para as horas sem glamour.

Amando eu tenho aprendido a viver um dia de cada vez, a perdoar, a observar, a silenciar, a me comunicar honestamente.
Tenho conseguido sair do meu turbilhão interno e reconhecer o que é sacrifício e comprometimento.
Eu tenho me arriscado a me descobrir nos outros e através deles.

Talvez isso continue funcionando, talvez não.
Estou consciente de que não há uma cartilha a seguir ou nomes com os quais definir.
As pessoas sentem o que sentem e deviam respeitar mais isso.

Enquanto se analisa, não se vivencia. E tempo é artigo de luxo.
Melhor usá-lo amando, seja lá o que isso for.