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Carta-Poema II

Eu me perdoo. Por todas às vezes que eu disse que não ia e fui. Por todas as palavras contraditas Por todas as ações julgadas e incompre...

terça-feira, 24 de junho de 2014

Essência

Na mania de correr, às vezes me afasto demais das coisas que realmente importam. Para mim.

Nas vozes alheias ouço todas as cobranças e acusações da minha própria neura tirânica.
E me sinto menor.

Esqueço de ver a pintura completa, perdida nos detalhes. Esqueço que cada ponto dessa trama é essencial para a imagem final.
Perco a dimensão das coisas. De mim.

E é preciso voltar ao centro. Nem que seja arrastada.
Olhar para minha pequenez limitante e perceber que a essência não precisa de grandes espaços. Ela encanta pela sua intensidade embriagadora, pela força contida em tão pouco.
Ela é procurada por sua raridade.

E tudo tem o tamanho exato de que precisa ter. E tudo precisa ser exatamente como é.
E é porquê as coisas são o que são que têm o tamanho que possuem, perfeito.





Foto do livro: "A Biblioteca Mágica de Bibbi Bokken" de Jostein Gaarder e Klaus Hagerup.


terça-feira, 3 de junho de 2014

Catarse

Catarse.

Mais conhecido (por mim) como soco no estômago.
Perco todo o ar, as lágrimas vão formigando fazendo seu caminho, vão subindo, apertam dolorosamente o peito, parando na garganta.
Tento me recompor. Sinto o desespero olhando a cara descarnada da verdade. Então eu me dou conta, e é insuportável.
Tapo meu rosto com as mãos, meus olhos... eu não quero ver, dói demais encarar essa senhora. A verdade de repente está ali, a resposta.
Eu mal consigo suportar quando recebo tudo aquilo que pedi. Eu não mereço, é tudo que posso pensar no terror de me encontrar.

Sinto-me devastada pelo turbilhão de ondas, não tenho tempo para retomar o fôlego, uma depois da outra. Imagens, palavras, lembranças, sensações, as lacunas se esclarecem, as peças se encaixam.
E eu não entendo porque me assusto tanto toda vez que conquisto o que busquei.

Meu corpo exausto, travei mil batalhas num minuto, depois o vazio. Preenchê-lo com o cristal, agora ali solidificado, da compreensão, ou com as desconfortáveis mas conhecidas ilusões e embaraços?
A coragem e o amor que tenho bastam pra recomeçar, de novo?