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Carta-Poema II

Eu me perdoo. Por todas às vezes que eu disse que não ia e fui. Por todas as palavras contraditas Por todas as ações julgadas e incompre...

terça-feira, 21 de maio de 2013

A ponto de viver


- Ah, mas eu não acredito que você seja assim tão pessimista, tão descrente da vida!...

- Da vida não. Acho a vida linda. Já achei, já achei que o problema era esse... – apontei pensativa, e dizendo mais para mim mesma, completei – já achei, mas descobri que o problema era outro.

Terminei olhando pros lados. Não sabia bem se queria continuar aquela conversa.

- Então o problema é qual? - perguntou-me honesto, olhando nos olhos.

Sabia que estava genuinamente interessado na conversa. Mas o por quê era o mistério. Provavelmente estava interessado em mim, ou então, parecia divertido conversar com uma mulher excêntrica. Duvido que ele realmente estivesse se importando com a resposta. Ainda assim respondi, depois de um curto suspiro.

- Covardia. A gente não quer se arriscar a ponto de viver. A gente deseja uma vida, mas não quer correr o risco de vivenciá-la. E pra não ser doloroso demais, pra não ter que admitir, quando alguém tem coragem de sair do esquema, é só marca-lo de louco. É só pressioná-lo, chama-lo de incoerente, excluí-lo. Somos uns hipócritas de merda. A gente diz que quer viver, mas se alguém tenta, a gente não suporta, a gente precisa trazê-lo de volta à razão.

Não sei o que ele tinha achado da resposta. Sua expressão facial continuava a mesma. Com o olhar vago, continuei.

- Um dia vou escrever um livro e vou dizer ali tudo, sem medo de que me internem por isso. Vou poder falar tudo o que não digo, e vai ter um homem como você pra me ouvir, e como a história é minha, ele vai até me entender.




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