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Carta-Poema II

Eu me perdoo. Por todas às vezes que eu disse que não ia e fui. Por todas as palavras contraditas Por todas as ações julgadas e incompre...

domingo, 17 de outubro de 2004

Você Sabe

Você me deixa louca
Me faz perder a cabeça
Me faz correr atrás do prejuízo
Você me enlouquece

Você sabe como me fazer sorrir
E sabe como fazer para eu me deixar levar
Você sabe o quanto te quero
E não faz nenhum mistério sobre isso

Você simplesmente sabe como fazer para me deixar levar

E não importa o quanto eu tente ser imparcial
Não importa o esforço que eu faça para te manter longe de mim
Você sempre dá um jeito, sempre tem um jeito de me seduzir
Um jeito de me deixar cega
Me cegar completamente
E não importa o quanto eu reclame disso
É porque eu gosto
No final, você sabe que eu gosto muito disso.




"Até parece que você já tinha / O meu manual de instruções / Porque você decifra os meus sonhos / Porque você sabe o que eu gosto / E porque quando você me abraça / O mundo gira devagar
E o tempo é só meu / E ninguém registra a cena / De repente vira um filme / Todo em câmera lenta / E eu acho que eu gosto mesmo de você / Bem do jeito que você é
Eu vou equalizar você / Numa frequência que só a gente sabe / Eu te transformei nessa canção / Pra poder te gravar em mim."




terça-feira, 31 de agosto de 2004

Eu não me importo

Eu não ligo para o que você acha
Eu não me comovo com os seus lamentos
Eu não me importo com o seu desgosto

Pouco me importa o que você pensa
Pouco me interessa como você se sente
Pouco me afeta suas chantagens

Não consigo acreditar na sua boa vontade
Não consigo acreditar na sua medida de intensidade
Não consigo acreditar que permaneço aqui

Permaneço distante para não quebrar nenhum móvel
Permaneço indiferente para não te tratar com ódio
Permaneço aqui por covardia.

Continuo na desonestidade para ser verdadeira
Continuo me escondendo para ser livre
Continuo imaginando como tudo poderia ser diferente...




segunda-feira, 30 de agosto de 2004

Lar

Ela acha
que pode me controlar.
Pensa
que pode me comandar.
Ela não sabe
que eu sou livre.
Não sabe
que eu pertenço ao céu.
Ela não pode me comandar
ninguém pode.
Ela acha que pode me deixar aqui
presa.

Agora eu estou aqui
atrás de uma grade
sem poder olhar a luz da Lua
vendo um minúsculo pedaço do céu
e uma parede interminável.
Talvez eu perca os melhores anos
da minha juventude; possivelmente
seja impossível recuperá-los.
Mas o que eu vou fazer?
Me desesperar? Isso não adiantaria muito.

Parece um pesadelo que nunca acaba
e eu sonho com o céu
sonho frequentemente com as estrelas
com planetas e galáxias distantes.
O céu me chama insistentemente
todos os dias
e eu tenho vontade de me ajoelhar
de me perder
de me teletransportar para o meu lugar
e lá de cima avistar todo o Universo
num movimento constante
num brilho intenso
numa implacável grandeza.
Então
eu sinto que posso voar
sinto que o Universo inteiro
está dentro de minh'alma
e que dentro de minha mente
permanece todo o poder.

É quando ouço gritarem comigo
dizendo que não posso viver nesse estado de transe
que agora, estou aqui.
Entre grades.
É quando sinto um vazio profundo
é quando sinto solidão.
É quando não suporto esperar
quando não suporto a distância.
É quando a solidão se torna mais só
é quando não suporto o peso desse corpo
quando não suporto as mágoas dessa vida.
É quando desejo a morte
quando desejo voltar logo para o meu lar.
Onde minha bondade
não vai ser tão friamente dilacerada.
Onde não existem grades
nem reis, nem servos, nem tempo, nem espaço
nem impossível.

Lá onde minha alma reside
é lá onde quero estar.
Lá
onde permaneço a sonhar
a sorrir, a amar.
Lá
onde um alguém me espera
e que na verdade
é apenas uma parte de mim.
É quando a Lua me traz a certeza
de que isso não vai durar para sempre
de que ainda vou ser completamente livre
sem ter que me esconder
sem ter que me preocupar
com a veracidade da minha mentira.

Não importa quantas grades e muros me separem do ar
eu sou e sempre serei filha da Grande Deusa
e não importa se ninguém me compreenda
eu não faço parte desse mundo
porque um outro mundo me contém
porque algo muito mais além em mim persiste
e algo muito maior me espera.

E eu sei, que lá eu voltarei.
Porque é lá, na verdade, que sempre estive.




sexta-feira, 14 de maio de 2004

Caminhando

Não estou mais conseguindo acertar a folha.
Talvez, essa metáfora explique como estou nesse instante.

Estou caminhando no meio da multidão, não seguindo a multidão, apenas caminhando. Rostos conhecidos e outros completamente desconhecidos. Estou caminhando na multidão, sem destino nem parada. Sigo apenas caminhando, porque não posso parar, porque sei - ou melhor, não sei o que vou encontrar a cada novo passo. Sigo caminhando na multidão, nem triste nem alegre, apenas sigo num compasso ritmado por meu próprio coração.

Sigo apenas assim. Caminhando só (não me sentindo só) a espera de mais à encontrar. Nem cansada nem muito disposta, sigo sem parar. Sempre seguindo, e vivendo o instante presente.
Alguns conhecidos (e desconhecidos) vem à mim falar. Coisas fúteis, importantes, normais, corriqueiras... qualquer coisa me vem falar. Muitas vezes não escuto, outras tento escutar, mas nada me faz parar. Sigo sempre caminhando no meio da multidão.

Procurando encontrar (não estando ansiosa ou angustiada), um lugar que sinta ser meu por algum motivo, em algum lugar. Um canto que me tenha, que possa me deter, que possa me fazer parar. Um pouco.
Procurando encontrar (não ansiosa, com preconceitos e ilusões), um alguém que sinta ser parte da minha estrada por algum motivo, em algum lugar. Um alguém que me tenha sem me possuir, que possa me deter sem me impedir de ir, que possa me fazer ver o melhor que posso ser. Alguém que possa me fazer descansar. Um pouco.

Estou caminhando no meio da multidão, passando por lugares distintos, diferentes. Passando por pessoas diferentes. Pensando diferente. Sigo sempre, caminhando sem parar, deixando para trás as velhas e desgastadas coisas, buscando inovar. Inovar-me. Preocupando-me apenas com o que eu posso controlar, deixando para os outros o que só eles podem fazer.
Sigo caminhando, aproveitando cada soprar da brisa, cada raio de sol apanhado. Sigo caminhando, vivendo a cada suspiro.

Quando vou parar? Quando encontrar o meu lugar, vou parar. Um pouco. Quando vou descansar? Quando encontrar alguém que (também) faça parte de mim, vou descansar. Um pouco.
Definitivamente não posso parar. Não quero parar. Sigo sempre caminhando. À espera, sigo sempre, caminhando no meio da multidão.