Eu precisei vir até aqui
para entender
que não existe alto demais
sempre há um outro ponto
para alcançar.
Eu precisei conquistar
tudo que eu queria
para entender que os sonhos
sempre mudam.
Não existe chegada.
As batalhas que você luta
são realmente aquelas
que você quer vencer?
Você está indo alegremente?
Ou continua pensando
que ser blue é mais autêntico?
Eu precisava de uma história pra contar.
Eu sou mais que isso.
Agora
é hora de viver um outro enredo.
Postagem em destaque
Carta-Poema II
Eu me perdoo. Por todas às vezes que eu disse que não ia e fui. Por todas as palavras contraditas Por todas as ações julgadas e incompre...
domingo, 29 de dezembro de 2013
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Viver é ser o que se é
Para Aristóteles, seres naturais são aqueles que “tem dentro de si um princípio de mudança e de repouso” (Física II.1,192b13-14), um princípio interno que os move através da vida. Os seres naturais: nascem, crescem, desenvolvem-se, permanecem em alguns estágios da vida por algum tempo, locomovem-se, reproduzem e também morrem. Os seres naturais são todos aqueles dotados de vida, de anima: plantas e animais de todos os tipos. Eles têm como que um motor próprio que os impulsiona e os direciona à vida. Muito diferente disso, são os artefatos, objetos que são criados, moldados pelas mãos de um artesão ou um fabricante. Artefatos precisam de uma causa externa a eles para existirem. Mesas, por exemplo, não nascem ou morrem, nem se reproduzem; mesas são criadas e destruídas, assim mesmo, sem grandes sentimentalismos, na maioria das vezes.
Quando perguntamos a causa de uma mesa, podemos dizer que sua causa material é a madeira (no caso de ter sido fabricada com essa matéria), e que ela tem a forma de uma mesa para que possamos colocar coisas em cima dela. É aparentemente simples explicar e entender porque uma mesa é o que é. O mesmo não ocorre com os seres naturais. Para compreender os seres naturais, o porquê um homem é o que é, por exemplo, devemos entender sua finalidade, aquilo em vista do que ele existe.
No exemplo da mesa de madeira, fica claro que ela poderia ser de algum outro material, de ferro talvez, mas que construída de acordo com a forma de uma mesa, ainda assim seria uma mesa. Com os artefatos fica mais fácil visualizar como que a forma, em certo grau, é mais importante que a matéria. Já nos seres naturais é diferente; podemos entender separadamente o que é forma e matéria, mas eles são componentes constitutivos, não desassociamos matéria e forma porque ambos formam a unidade dos organismos, para haver um é preciso o outro e vice-e-versa; a forma é sobretudo, mas não é sozinha. Os ossos e carnes que formam um gato, por exemplo, estão configurados numa determinada forma, que por sua vez só poderia ser realizada naquelas carnes e ossos, e esse conjunto organizado desse jeito é o animal gato.
Assim, um conjunto de coisas não é de fato uma unidade, da mesma forma que uma pilha de madeira não é uma mesa e um amontoado de carnes e ossos não é um gato. O que falta ao conjunto que está presente na unidade é a forma, a configuração, a organização em que essas coisas estão dispostas e como elas se interferem. E é desse ponto de vista que a forma tem prioridade em relação à matéria. Nos seres naturais, a forma é como um poder (dýnamis), a dinâmica que mantém e induz o ser ao seu pleno desenvolvimento, que é sua finalidade enquanto ser natural.
A forma existe em diversos níveis. A forma de um filhote de gato é aquela que organiza o ser naquilo que atualmente ele é: um gatinho. Dentro de si, o gatinho tem a natureza, o impulso natural de crescer e se desenvolver, até se transformar em um gato adulto no pleno exercício de sua maturidade. Esse impulso natural é também a sua forma, direcionando o desenvolvimento do ser para as suas formas potenciais. Enquanto filhote, talvez o gato ainda não consiga subir em cima da cama (o meu aos três meses de idade não conseguia), mas quando adulto certamente ele conseguirá. As atividades de um gato adulto já fazem parte da sua forma potencial, que ele poderá realizar assim que atingir com sucesso o desenvolvimento natural do seu ser, direcionado pela sua própria força interna de alcançar sua finalidade. Ou seja, a sua forma irá mantê-lo, desenvolvê-lo e direcioná-lo até que suas potencialidades sejam plenamente atualizadas, alcançando assim a finalidade do seu ser, o aquilo em vista do que o ser natural existe. No caso, o gato existe com a finalidade de ser um gato, plenamente atualizado em suas capacidades e no auge da sua maturidade.
Portanto, o fim (telos), a finalidade de todos os seres naturais, assim como a do ser humano, é ser plenamente aquilo que é. Isso significa desenvolver e realizar plenamente suas capacidades, alcançar sua maturidade enquanto indivíduo de uma determinada espécie, seguir seu impulso natural e interno de vida, sua natureza. Como diz Almir Sater, na música Tocando em Frente: “Penso que cumprir a vida/ Seja simplesmente/ Compreender a marcha/ E ir tocando em frente/ Cada ser em si/ Carrega o dom de ser capaz”. As coisas recebem uma denominação quando tem a capacidade para tal; assim como os seres naturais ainda que não tenham consciência de quais são exatamente suas capacidades estão destinados a serem plenamente o que são. Nós humanos, somos por natureza construtores da realidade, e ainda que não saibamos exatamente quais caminhos devemos tomar, nosso poder interno de vida nos direcionará à realização plena daquilo que somos, pontos focais nos quais o mundo está conhecendo a si mesmo.
Quando perguntamos a causa de uma mesa, podemos dizer que sua causa material é a madeira (no caso de ter sido fabricada com essa matéria), e que ela tem a forma de uma mesa para que possamos colocar coisas em cima dela. É aparentemente simples explicar e entender porque uma mesa é o que é. O mesmo não ocorre com os seres naturais. Para compreender os seres naturais, o porquê um homem é o que é, por exemplo, devemos entender sua finalidade, aquilo em vista do que ele existe.
No exemplo da mesa de madeira, fica claro que ela poderia ser de algum outro material, de ferro talvez, mas que construída de acordo com a forma de uma mesa, ainda assim seria uma mesa. Com os artefatos fica mais fácil visualizar como que a forma, em certo grau, é mais importante que a matéria. Já nos seres naturais é diferente; podemos entender separadamente o que é forma e matéria, mas eles são componentes constitutivos, não desassociamos matéria e forma porque ambos formam a unidade dos organismos, para haver um é preciso o outro e vice-e-versa; a forma é sobretudo, mas não é sozinha. Os ossos e carnes que formam um gato, por exemplo, estão configurados numa determinada forma, que por sua vez só poderia ser realizada naquelas carnes e ossos, e esse conjunto organizado desse jeito é o animal gato.
Assim, um conjunto de coisas não é de fato uma unidade, da mesma forma que uma pilha de madeira não é uma mesa e um amontoado de carnes e ossos não é um gato. O que falta ao conjunto que está presente na unidade é a forma, a configuração, a organização em que essas coisas estão dispostas e como elas se interferem. E é desse ponto de vista que a forma tem prioridade em relação à matéria. Nos seres naturais, a forma é como um poder (dýnamis), a dinâmica que mantém e induz o ser ao seu pleno desenvolvimento, que é sua finalidade enquanto ser natural.
A forma existe em diversos níveis. A forma de um filhote de gato é aquela que organiza o ser naquilo que atualmente ele é: um gatinho. Dentro de si, o gatinho tem a natureza, o impulso natural de crescer e se desenvolver, até se transformar em um gato adulto no pleno exercício de sua maturidade. Esse impulso natural é também a sua forma, direcionando o desenvolvimento do ser para as suas formas potenciais. Enquanto filhote, talvez o gato ainda não consiga subir em cima da cama (o meu aos três meses de idade não conseguia), mas quando adulto certamente ele conseguirá. As atividades de um gato adulto já fazem parte da sua forma potencial, que ele poderá realizar assim que atingir com sucesso o desenvolvimento natural do seu ser, direcionado pela sua própria força interna de alcançar sua finalidade. Ou seja, a sua forma irá mantê-lo, desenvolvê-lo e direcioná-lo até que suas potencialidades sejam plenamente atualizadas, alcançando assim a finalidade do seu ser, o aquilo em vista do que o ser natural existe. No caso, o gato existe com a finalidade de ser um gato, plenamente atualizado em suas capacidades e no auge da sua maturidade.
Portanto, o fim (telos), a finalidade de todos os seres naturais, assim como a do ser humano, é ser plenamente aquilo que é. Isso significa desenvolver e realizar plenamente suas capacidades, alcançar sua maturidade enquanto indivíduo de uma determinada espécie, seguir seu impulso natural e interno de vida, sua natureza. Como diz Almir Sater, na música Tocando em Frente: “Penso que cumprir a vida/ Seja simplesmente/ Compreender a marcha/ E ir tocando em frente/ Cada ser em si/ Carrega o dom de ser capaz”. As coisas recebem uma denominação quando tem a capacidade para tal; assim como os seres naturais ainda que não tenham consciência de quais são exatamente suas capacidades estão destinados a serem plenamente o que são. Nós humanos, somos por natureza construtores da realidade, e ainda que não saibamos exatamente quais caminhos devemos tomar, nosso poder interno de vida nos direcionará à realização plena daquilo que somos, pontos focais nos quais o mundo está conhecendo a si mesmo.
"Penso que cumprir a vida seja simplesmente / Compreender a marcha e ir tocando em frente
Cada um de nós compõe a sua história / Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz!"
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
O homem que eu amo
Não posso ficar
com alguém que não goste de mim.
Que se importa comigo
tanto quanto se importa com qualquer um.
Alguém que é capaz
de assumir compromissos e quebrar regras
por outras mulheres
não por mim.
Capaz de amar
qualquer vadia dessa cidade
mas não a mim.
Eu não sou o bastante
não sou o suficiente
pra ser melhor que qualquer uma.
Eu sempre fui mais uma
na sua contagem
mais uma
que não queria ver.
Sempre a puta, o prêmio na cama
impulsiva e intensa demais
pra ter acesso à qualquer casa
à qualquer coração.
Relegada ao afeto
que sobra
ao revanchismo.
E eu que poderia amar
e ser amada, assim
pela metade
Eu que poderia me converter
me domesticar
num cãozinho obediente
numa moça recatada
e cheia de virtudes
por todos querida e amada.
Eu
sorrio de prazer
enquanto assisto meu lobo
estraçalhar a ovelha indefesa
que eu poderia ser.
Ah não, eu não! Eu amo
e sou amada
inteira.
Eu amo
essa fúria descontrolada
esse ardor que me consome
essa febre.
Eu amo meu grito
e minha pressa
minha sede e minha fome
de sempre mais.
Amo minha contagiante alegria
meu humor escrachado
minha sensibilidade afiada
meus olhos rasos d'água
minha boca curvada num sorriso apaixonante.
Amo a ferocidade que me ergue
e me mantém
e a doçura que me invade
depois da luta.
E o homem que me ama
ama apaixonadamente minhas loucuras
tanto quanto eu.
O homem que me ama
respeita meus limites e desafios
tanto quanto respeita os seus.
O homem que eu amo
é aquele que me ama
aquele que não teme
a proximidade
a proximidade
e adora
brincar com fogo.
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Marcas
Eu renuncio à minha inocência.
Eu os odeio com todas as minhas forças
Espero que vocês morram, lentamente.
Eu desejo o sangue, porque já cansei da mesmice
Porque eu sempre soube que o meu destino é um só.
E eu que sou tão pequena e tão fraca
Não posso permitir que a morte venha aos poucos.
Não sou covarde, apenas infeliz
A dor não me assusta, assusta a possibilidade de voltar
Assusta-me ter que vivenciar dia após dia tamanha desgraça.
Será que eu ainda não entendi?
Não tem nada aqui pra mim
Esse lugar foi feito pra que eu fosse embora.
Eu lamento que todo carinho seja assim apagado
Vou me lembrar disso pelo resto da eternidade.
Eu vou lembrar como foi quase ser amada
Acho que meu mal é a quasidade
É quase morrer, é quase viver, é quase amar, é quase.
Não posso evitar de ver o quanto sou atraente.
Ouço meu coração batendo ritmado
Ele não sabe o que se passa aqui fora?
Ele não sabe da minha vida toda?
Do meu desejo de morrer?
Ele não sabe que ouvi-lo tranquilo é um insulto à minha dor?
Ah, leviano coração! Você nunca esteve do meu lado.
Porque eu insisto tanto?
É curioso que depois de tantas marcas, a que mais doa ainda seja a deixada pelas mãos dele.
Eu os odeio com todas as minhas forças
Espero que vocês morram, lentamente.
Eu desejo o sangue, porque já cansei da mesmice
Porque eu sempre soube que o meu destino é um só.
E eu que sou tão pequena e tão fraca
Não posso permitir que a morte venha aos poucos.
Não sou covarde, apenas infeliz
A dor não me assusta, assusta a possibilidade de voltar
Assusta-me ter que vivenciar dia após dia tamanha desgraça.
Será que eu ainda não entendi?
Não tem nada aqui pra mim
Esse lugar foi feito pra que eu fosse embora.
Eu lamento que todo carinho seja assim apagado
Vou me lembrar disso pelo resto da eternidade.
Eu vou lembrar como foi quase ser amada
Acho que meu mal é a quasidade
É quase morrer, é quase viver, é quase amar, é quase.
Não posso evitar de ver o quanto sou atraente.
Ouço meu coração batendo ritmado
Ele não sabe o que se passa aqui fora?
Ele não sabe da minha vida toda?
Do meu desejo de morrer?
Ele não sabe que ouvi-lo tranquilo é um insulto à minha dor?
Ah, leviano coração! Você nunca esteve do meu lado.
Porque eu insisto tanto?
É curioso que depois de tantas marcas, a que mais doa ainda seja a deixada pelas mãos dele.
domingo, 8 de dezembro de 2013
Realidade Paralela
Você me ensinaria a gostar do frio
Eu te ensinaria a gostar do calor
Você me ensinaria a lidar com as imagens
Eu te ensinaria a lidar com as palavras
Eu te mostraria o som, o grito
Demonstraria a explosão
Você me mostraria o silêncio, o sussurro
Demonstraria a paz
Juntos, nós aprenderíamos quais são os objetivos que realmente importam
Eu iria interferir na sua vida
Totalmente
E você iria adorar.
E não importa o que eu diga quando começar a te odiar:
Eu gosto muito de você.
Eu te ensinaria a gostar do calor
Você me ensinaria a lidar com as imagens
Eu te ensinaria a lidar com as palavras
Eu te mostraria o som, o grito
Demonstraria a explosão
Você me mostraria o silêncio, o sussurro
Demonstraria a paz
Juntos, nós aprenderíamos quais são os objetivos que realmente importam
Eu iria interferir na sua vida
Totalmente
E você iria adorar.
E não importa o que eu diga quando começar a te odiar:
Eu gosto muito de você.
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