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Carta-Poema II

Eu me perdoo. Por todas às vezes que eu disse que não ia e fui. Por todas as palavras contraditas Por todas as ações julgadas e incompre...

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Dezessete Anos


O dia era ameno, de uma brisa suave. Estávamos sentados no banco de pedra, num recanto quase desapercebido, entre plantas e flores. Ele permanecia com seu ar tranquilo, jovial. Um menino. O rosto tão claro, os olhos limpos, inocentes. E por mais que me falasse de seu pessimismo, seu doce sorriso o enganava. Tão encantador!... Um menino, apenas um menino! O que eu estava pensando?

- Por que está tão triste? - ele perguntou suavemente, sempre tão atento...

- Você é tão jovem! Tão novo! – Coloquei as mãos sobre a boca, como em silenciosa oração. – Quando eu tinha 17 anos... – Um profundo e curto suspiro me interrompeu.

Eu sacudi negativamente a cabeça e virei o rosto, respirando, tentando manter o equilíbrio sobre mim mesma, mas quanto mais esforço fazia, minhas inspirações e expirações mergulhavam-me em memórias. Tantos sonhos, tantas esperanças eu tinha aos 17 anos! Tanta coisa perdida... O tempo agora passa impiedoso e eu já não espero grandes coisas. Pensar que talvez eu esteja ainda mais perto do fim do que se possa imaginar. Provavelmente doente. Mas eu nem pareço tão mal. Na verdade, me sinto bem fisicamente, como há muito não me sentia. Estranha vida.

Engulo todo o choro. Sinto o aperto na garganta se tornar tolerável. Já posso forçar um meigo sorriso. Sei que de alguma forma ele se preocupa e que quando olha nos meus olhos pode me ver. Sabe que estou triste, mas é maduro o suficiente para respeitar a minha dor, minhas histórias e segredos. E é justamente isso que me arrebata, sua discrição. Seus pequenos gestos de gentileza lembram um verdadeiro gentleman, normalmente estranhos a um menino. Sinto-me tão a vontade do seu lado! Eu poderia amá-lo. Posso ver seu corpo suado, à meia-luz, enquanto descanso no seu peito; ofegantes, satisfeitos, enternecidos...

Eu poderia amá-lo, certamente. Mas sei que é somente um menino, ainda crente da vida e do amor. Não teria suportes para sustentar uma forte paixão, nem suas dores. Não suportaria meus dias sombrios. Seria envenenado por minha tristeza. Não. Tenho por ele imenso carinho. Não serei eu que o farei um homem.




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