Tarde ensolarada. A família de passarinhos continuam a cantar alegremente. Os filhotes no ninho, aprendendo a voar, e o pai, Seu Sebinho, e a mãe, Dona Sebinha, passam as horas à procurar comida aos filhotes.
Depois de muitas horas, Seu Sebinho pára pra descansar em cima de um telhado. Mas não sabe ele que pelas redondezas há um novo gatuno, conhecido pela sua malandragem; um gato, rajado de cinza, veloz e cheio de destreza. Que por infeliz coincidência estava no mesmo telhado.
O gato balança o rabo rapidamente, para lá e para cá, indo e vindo, enquanto suas patas se mexem impacientemente e todo seu corpo está preparado para o bote. O passarinho, do seu lado, limpa e ajeita sua asa esquerda, quando sente de repente unhas a lhe furarem a pequena barriguinha. Sentindo-se em perigo real, tenta voar, mas é arremessado contra o telhado, agora, de repouso, transformado em dura pedra. Sente-se arremessado para cima uma infinidade de vezes, e sente unhas em todo o seu corpinho.
O gatuno teve sua brincadeira, seu divertimento, e volta pra casa comer sua ração sabor peixe.
Enquanto na família do sebinho, há uma Dona a esperá-lo à noite eternamente.
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quarta-feira, 29 de junho de 2005
Verdes Olhos
Ele, que andava tão tristonho, naquela tarde tão ensolarada, viu num de repente aqueles olhos. Aqueles olhos verdes, profundos e cristalinos, que ao brilho do Sol, lembravam verdes campos e colinas. Aqueles olhos de repente, o fizeram acreditar no bem, no bom, no amor. O fizeram acreditar na vida, num mundo utópico, numa alegria sem fim.
Se meus fossem aqueles olhos, pensava ele, nada de mal me assombraria, nem me faria perder a cabeça com tolices passageiras, eu só teria olhos aos olhos teus.
Mas tudo isso havia se passado num instante, num simples olhar, em um pequeno reflexo. E quando deu por si, ele a havia perdido na multidão, naquela praça movimentada, atulhada de olhos que viam , mas não enxergavam nada.
E ele continuou, então, a vagar, em busca, talvez, de outros olhos para sonhar.
Se meus fossem aqueles olhos, pensava ele, nada de mal me assombraria, nem me faria perder a cabeça com tolices passageiras, eu só teria olhos aos olhos teus.
Mas tudo isso havia se passado num instante, num simples olhar, em um pequeno reflexo. E quando deu por si, ele a havia perdido na multidão, naquela praça movimentada, atulhada de olhos que viam , mas não enxergavam nada.
E ele continuou, então, a vagar, em busca, talvez, de outros olhos para sonhar.
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