Ele, que andava tão tristonho, naquela tarde tão ensolarada, viu num de repente aqueles olhos. Aqueles olhos verdes, profundos e cristalinos, que ao brilho do Sol, lembravam verdes campos e colinas. Aqueles olhos de repente, o fizeram acreditar no bem, no bom, no amor. O fizeram acreditar na vida, num mundo utópico, numa alegria sem fim.
Se meus fossem aqueles olhos, pensava ele, nada de mal me assombraria, nem me faria perder a cabeça com tolices passageiras, eu só teria olhos aos olhos teus.
Mas tudo isso havia se passado num instante, num simples olhar, em um pequeno reflexo. E quando deu por si, ele a havia perdido na multidão, naquela praça movimentada, atulhada de olhos que viam , mas não enxergavam nada.
E ele continuou, então, a vagar, em busca, talvez, de outros olhos para sonhar.
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