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Carta-Poema II

Eu me perdoo. Por todas às vezes que eu disse que não ia e fui. Por todas as palavras contraditas Por todas as ações julgadas e incompre...

terça-feira, 1 de julho de 2014

Quando?

Com 12 anos, escrevi que tudo o que eu precisava cabia numa mochila. E cada vez mais me aproximo desse ideal, cada vez mais carrego menos.

E se eu me libertar, bem sei, poucos irão se agradar. Bem sei quantas decepções causarei, mas eu tenho um sonho de liberdade que grita por se tornar real.

Sei bem o que esperam de mim, responsabilidade sempre foi meu segundo nome... Se pudessem ouvir o quanto meu coração anseia pela inconsequência de viver sem amarras, sem amanhãs...

Lar, eu sei, é onde meu coração está. E agora ele não se encontra em nada louvável, respeitável, honroso. Meu coração vive me perguntando 'quando?'. Sufoco-o com todos os compromissos que eu acho que devia ter, com a vida que eu acho que deveria querer levar. Ele aperta meu peito nesses dias estranhos.

'Quando?'

Tudo que eu queria era me encaixar, mas a quem isso importa afinal, se no final do dia meu coração clama, 'quando?'

A culpa contamina minha alegria de ser livre, mancha meus dias com 'eu não devia'. Sinto-me impotente diante da carrasca inflexível em que me torno. Roubo minha própria alegria. Os sonhos são impossíveis, 'as pessoas dizem que...'. E eu vivo nessa história sem nenhum amor, porque me parece que é assim que essa história deveria ser. Sem paixão, eu faço tudo certo. No vazio dentro de mim, meu coração ecoa, 'quando?'.

Vejo luz através das rachaduras. Temo pelo estrondo que virá. Poderei um dia me perdoar? Me tornarei uma indisciplinada? Estarei fazendo a coisa certa? Se ainda fosse uma escolha... Mas já não há mais tempo de voltar atrás. Eu nunca soube quais pedaços de mim cairiam, quais das minhas faces eram máscaras, mas ainda assim escolhi esse caminho. Relutante, cada vez que vislumbro o percurso, minha mente diz 'não'. Ela tem a razão, mas não contabiliza minhas ações e vitórias. Minha ânima pertence a outro mestre. A fagulha em meu centro incendeia e tudo que sei de mim cai por terra. Então recomeço, caminhando sigo construindo meu caminho.

Anseio a liberdade do vento, a solidão alegre das noites estreladas, o preenchimento de mim mesma com meus sorrisos, a sensação libertadora do nada, a doce independência de não ter compromissos com os conselhos, o saber-me livre até quando a vontade de ficar me encante.

Que me perdoem os outros com suas expectativas. Eu nunca fui mesmo uma boa menina.

Reafirmo minha fidelidade com meu coração e respondo-o, em meio a dor da dúvida, da libertação e da despedida, 'agora!'.




"Sentindo o meu caminho em meio à escuridão / Guiado pela batida de um coração / Não sei dizer onde a jornada vai acabar / Mas sei onde começar
Dizem-me que sou muito jovem para entender / Dizem que estou preso em um sonho / Bem, a vida vai passar por mim se eu não abrir meus olhos / Por mim tudo bem
Então, acorde-me quando tudo estiver acabado / Quando eu for mais sábio e mais velho / Todo este tempo eu estava procurando por mim mesmo / E não sabia que estava perdido
Tentei carregar o peso do mundo / Mas só tenho duas mãos / Espero ter a chance de viajar o mundo / Mas não tenho nenhum plano / Gostaria de poder permanecer jovem assim para sempre / Sem medo de fechar meus olhos / A vida é um jogo feito para todos / E o amor é um prêmio
Eu não sabia que estava perdido."




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