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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Lendo Eclipse...

Quando terminei de ler Lua Nova, fiquei cismada com a recusa da personagem Bella, ao pedido de casamento do seu namorado Edward.
Afinal ela queria virar vampira para poder passar a eternidade junto dele, então casar não devia ser grande problema.
No livro Eclipse a personagem discorre mais sobre o fato e suas percepções sobre tal. E me vi concordando totalmente com ela. Depois me lembrei, um tanto envergonhada, que critiquei sua atitude e até comentei sobre isso!... Logo eu! Que também tenho horror ao assunto!

Nesse volume percebi uma preocupação em assinalar as diferenças de épocas.
Em um trecho Rosalie, a irmã adotada de Edward, conta sua história, sua vida antes de se transformar em vampira.
O que mais chamou minha atenção foi ela descrever a vida do inicio do séc.XX como uma vida mais simples.
Não conseguia parar de pensar nisso.
Uma vida mais simples... uma vida onde tudo o que você devia fazer já estava determinado. A mulher sabia todos os passos que devia dar. O que esperavam dela e o que ela devia esperar de si mesma.
É, talvez fosse mesmo mais simples. Não ter de trabalhar, nem estudar, nem escolher uma carreira para seguir e muito menos se preocupar em ser "mulher-maravilha" (resolvendo tudo e ainda sendo irresistivelmente sexy). Poder ser frágil e dependente. Talvez fosse mesmo bom!

Mas é claro que se a mulher quisesse fazer alguma coisa fora do roteiro, seria um inferno!
Não, não trocaria meu direito de escolha por uma vida mais simples ou mais fácil!

Em compensação me pego nos pensamentos de Bella, sobre as reações que um casamento entre jovens provocaria nos tempos atuais: as fofocas, as especulações em torno de uma gravidez, a vergonha dos pais, a decepção... afinal você tinha toda uma vida pela frente e resolve jogar tudo fora... resolve sair do roteiro...

Então...
Então talvez a mulher ainda não tenha alcançado seu direito de escolha. Talvez nós continuemos a ter todos nossos passos predeterminados.
O que mudou não foi nosso direito, foi apenas o roteiro. Mudou apenas o que é considerado mais adequado para nós.
E exatamente como nossas antecedentes não nos damos conta.
Na verdade fazemos parte dessa corrente e temos os conceitos tão arraigados que essa ideia passa a ser exatamente aquilo que queremos e que achamos correto.

Mas será que é isso mesmo que eu acho certo? Independente da força social sobre mim, como mulher, o que é mesmo que eu quero?
Talvez seja essa a sina de Bella. Talvez seja a minha também.

Visualizo uma vida simples que me agrada. Uma vida em que as mulheres tenham direito de escolha.
Inclusive o de repensar sobre o mesmo.

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