Sempre me parece que os professores tem um tipo de prazer em constatar que os alunos não atingiram as notas máximas.
Poderia soar como sadismo e talvez algumas vezes de fato seja, mas não me refiro a esses, e sim àqueles que mesmo sendo bons professores sentem um prazer íntimo e secreto em perceber que o aluno não é tão bom assim; não tão bom a ponto de colocar em risco o próprio professor.
Acho que nenhum professor quer ser ultrapassado por seu aluno. Nenhum professor ensina tudo o que sabe, e nem deveria. Assim como um mestre não ensina e nem deve ensinar todos seus truques e golpes, mesmo ao melhor discípulo. Talvez muito menos a esse.
É claro que o professor quer que seus alunos aprendam. Isso afeta seu próprio sucesso como professor, sua própria estima e bem estar. Afinal, se nenhum aluno aprendesse, o problema seria com ele.
A questão é que sim, que os alunos aprendam, mas não tão bem a ponto de ameaçar seu status de mestre, de superioridade intelectual (ou de habilidade, destreza ou prática).
Pouquíssimos mestres abandonam o orgulho. Pouquíssimos mestres não se preocupam mais em ser ou não ameaçados por seus brilhantes alunos. Apenas se dedicam e tentam ensinar o melhor que podem. Toda ameaça simplesmente perde a razão de ser. Eles não temem mais perder o status porque já não dependem dele.
Ironicamente, são esses os mestres que permanecem inalcançáveis aos seus discípulos. São esses professores que realmente se tornam insubstituíveis.
Não é incrível que só quando a gente para de tentar ser, é que de fato se é?
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quarta-feira, 3 de julho de 2013
terça-feira, 21 de maio de 2013
A ponto de viver
- Ah, mas eu não acredito que você seja assim tão
pessimista, tão descrente da vida!...
- Da vida não. Acho a vida linda. Já achei, já achei que o
problema era esse... – apontei pensativa, e dizendo mais para mim mesma,
completei – já achei, mas descobri que o problema era outro.
Terminei olhando pros lados. Não sabia bem se queria
continuar aquela conversa.
- Então o problema é qual? - perguntou-me honesto, olhando
nos olhos.
Sabia que estava genuinamente interessado na conversa. Mas o
por quê era o mistério. Provavelmente estava interessado em mim, ou então,
parecia divertido conversar com uma mulher excêntrica. Duvido que ele realmente
estivesse se importando com a resposta. Ainda assim respondi, depois de um
curto suspiro.
- Covardia. A gente não quer se arriscar a ponto de viver. A
gente deseja uma vida, mas não quer correr o risco de vivenciá-la. E pra não
ser doloroso demais, pra não ter que admitir, quando alguém tem coragem de sair
do esquema, é só marca-lo de louco. É só pressioná-lo, chama-lo de incoerente,
excluí-lo. Somos uns hipócritas de merda. A gente diz que quer viver, mas se
alguém tenta, a gente não suporta, a gente precisa trazê-lo de volta à razão.
Não sei o que ele tinha achado da resposta. Sua expressão
facial continuava a mesma. Com o olhar vago, continuei.
- Um dia vou escrever um livro e vou dizer ali tudo, sem medo de que me internem por isso. Vou poder falar tudo o que não digo, e vai ter
um homem como você pra me ouvir, e como a história é minha, ele vai até me
entender.
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