Por todas às vezes que eu disse que não ia
e fui.
Por todas as palavras contraditas
Por todas as ações julgadas e incompreendidas
que mais tarde eu repeti.
Eu me perdoo
pelos sonhos desfeitos
pelos sonhos trocados.
Eu me perdoo
por ser tão imaginativa
por sonhar tão docemente viver outras vidas.
Eu me perdoo
por mudar de ideia
de voz
de corpo
de postura.
Eu me perdoo
por voltar atrás.
Eu me perdoo
por abrir mão daqueles que amo
por aprender que o amor é tão fugaz.
Eu perdoo minhas mortes e renascimentos.
Perdoo meus dramas.
Minhas máscaras todas.
Perdoo minha multiversalidade.
Eu me perdoo por não ser sempre a mesma.
Eu me perdoo por não corresponder as expectativas
nem as minhas
nem as dos outros.
Eu me perdoo
por tantos amores e paixões.
Eu perdoo meus desenganos.
Minha ingenuidade.
Minhas projeções.
Minha utopia.
Eu me perdoo
pelos desejos de felicidade e amor.
Eu perdoo minhas esperanças.
Meu mau humor.
Minha intensidade.
Minha história.
Meu processo.
Perdoo meu coração
e todas as vezes em que disse a ele "não".
Eu me perdoo por sorrir e mudar.
Perdoo minha alegria
e meu eterno recomeçar.
Eu me perdoo por desistir,
selecionar.
Que no meu mundo
só cabe quem quiser ficar.
"Eu quero dizer / Agora o oposto do que eu disse antes / Eu prefiro ser / Essa metamorfose ambulante / Do que ter aquela velha opinião / Formada sobre tudo / Sobre o que é o amor / Sobre o que eu nem sei quem sou
Eu vou desdizer / Aquilo tudo que eu lhe disse antes..."
Eu vou desdizer / Aquilo tudo que eu lhe disse antes..."