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Carta-Poema II

Eu me perdoo. Por todas às vezes que eu disse que não ia e fui. Por todas as palavras contraditas Por todas as ações julgadas e incompre...

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Carta-Poema II

Eu me perdoo.
Por todas às vezes que eu disse que não ia
e fui.
Por todas as palavras contraditas
Por todas as ações julgadas e incompreendidas
que mais tarde eu repeti.

Eu me perdoo
pelos sonhos desfeitos
pelos sonhos trocados.
Eu me perdoo
por ser tão imaginativa
por sonhar tão docemente viver outras vidas.

Eu me perdoo
por mudar de ideia
de voz
de corpo
de postura.
Eu me perdoo
por voltar atrás.
Eu me perdoo
por abrir mão daqueles que amo
por aprender que o amor é tão fugaz.

Eu perdoo minhas mortes e renascimentos.
Perdoo meus dramas.
Minhas máscaras todas.
Perdoo minha multiversalidade.
Eu me perdoo por não ser sempre a mesma.
Eu me perdoo por não corresponder as expectativas
nem as minhas
nem as dos outros.

Eu me perdoo
por tantos amores e paixões.
Eu perdoo meus desenganos.
Minha ingenuidade.
Minhas projeções.
Minha utopia.

Eu me perdoo
pelos desejos de felicidade e amor.
Eu perdoo minhas esperanças.
Meu mau humor.
Minha intensidade.
Minha história.
Meu processo.

Perdoo meu coração
e todas as vezes em que disse a ele "não".
Eu me perdoo por sorrir e mudar.
Perdoo minha alegria
e meu eterno recomeçar.
Eu me perdoo por desistir,
selecionar.
Que no meu mundo
só cabe quem quiser ficar.




"Eu quero dizer / Agora o oposto do que eu disse antes / Eu prefiro ser / Essa metamorfose ambulante / Do que ter aquela velha opinião / Formada sobre tudo / Sobre o que é o amor / Sobre o que eu nem sei quem sou
Eu vou desdizer / Aquilo tudo que eu lhe disse antes..."




sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Carta-Poema I

O que eu escolho agora é o amor maduro
Um amor que enxergue todos meus defeitos
Que reconheça toda minha força
E que ainda sinta o desejo de me envolver em seus braços.
Um homem que fique ao meu lado
Não para me ajudar, ou me proteger
Nem porque precise de mim
Mas sim, porque quer ficar.

Eu não serei compreensiva
Nem compassiva com suas vitimizações
Não vou me conter para que você possa se sentir melhor
Eu não vou me calar.
Nem irei competir, ou te subjugar
Não te jogarei a máscara do incapaz para que eu possa me sentir mais importante
Enxergarei todos seus defeitos
Todas suas atitudes irritantes
E continuarei te amando.

Meu amor e minhas cicatrizes já estavam aqui antes de você chegar
E continuarão quando você se for
Sou capaz de vivenciar intensas alegrias
E tristezas profundas.
Eu posso me manter sozinha e da mesma forma tomar minhas decisões
Vivo plenamente em minha própria companhia.
Quando te olho, sei que você é tão inteiro quanto eu
E me sinto honrada por partilharmos essa caminhada.

Sei que posso partir a qualquer momento
Se assim meu coração desejar
E que da mesma forma, você possa seguir trilhar um outro rumo
Para sua felicidade.
Cada dia que nossas escolhas coincidem em prosseguir juntos na mesma direção
É um milagre
uma sagrada e rara benção com a qual mutuamente nos presenteamos.

Estamos conscientes. Os véus cor de rosa foram rasgados. Estamos despidos de todas as formas.
E todas nossas marcas, nossas histórias, cada pedaço de corpo e alma à mostra
Aumenta o respeito, o desejo e a admiração.
Cada passo que dou em busca dos meus sonhos
Estou mais perto de você
De todo amor que eu jamais imaginei sentir
E receber.
Calorosamente
Você me leva de volta para casa
Para meu próprio coração.




"Sempre que estou sozinha com você / Você me faz sentir em casa de novo
Inteira / Jovem / Como se eu fosse divertida de novo
Mesmo distante / Eu sempre vou te amar
Mesmo eu estando longe / Eu sempre vou te amar
Qualquer palavra que eu diga / Eu sempre vou te amar
Sempre que estou sozinha com você / Você me faz sentir livre de novo
Limpa de novo
Mesmo distante / Mesmo eu estando longe / Qualquer palavra que eu diga / Eu sempre vou te amar / Porque eu te amo."