Hoje faz um mês que me mudei. Eu sinto medo de um futuro ruim. Sinto saudades nem sei de quê. O mundo anda de cabeça pra baixo. Tirania, violência, corrupção, greves, protestos, homofobia, sexismo... A cidade está um caos. É provável que seja assim neste ano de Copa e Eleições. Sinto-me cansada e triste.
Toda confusão lá fora reflete e alimenta minha confusão interna, e vice e versa. Na verdade, eu andava muito, muito feliz, capaz de enxergar na vida, na minha vida uma beleza ofuscante, arrebatadora! Mas tudo pra mim acontece muito rápido. As coisas mudam velozmente e ultimamente eu tenho tentado curtir os acontecimentos um pouco mais, mas tudo ainda acontece muito rápido. E eu espero que seja assim. E quando não é, sinto minha esperança se esvaindo, atrás de uma paciência que há muito já foi embora.
Eu mal consigo esperar que tudo aconteça. Uma fome que parcamente esconde meu medo de não vivenciar essa vida de forma suficiente. Temo não conseguir caminhar, ficar parada no caminho, então saio em disparada. Percebo minha respiração acelerando, tudo vai passando como um borrão, vou perdendo as forças, sem conseguir lembrar pra onde estou indo, sem enxergar direito onde vou. Tenho informações suficientes pra saber que eu deveria diminuir o passo; eu devia controlar meu impulso louco de correr e correr, buscando (às vezes fugindo de) uma saída. Mas ninguém pode correr sempre. Talvez o cara do Forrest Gump.
Não acredito que correr seja uma boa solução. Mas é a que eu conheço. E que em muitas vezes salvou minha alma ferida. Eu quero aprender coisas novas, quero cuidar de mim mesma, poder olhar minhas escolhas com atenção antes que a vida me obrigue a isso. Mas velhos hábitos são difíceis de mudar. Além de perseverança, eles levam tempo. Todo o tempo que me angustio em perder. E quanto, quanto tempo mais leva pra curar tudo? Quanto tempo mais pra ser uma boa pessoa? Quanto tempo até aprender a caminhar e apreciar a paisagem? Quanto tempo mais até eu me amar? Quanto tempo eu ainda tenho?
Dá tempo?
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
domingo, 29 de dezembro de 2013
Um Outro Enredo
Eu precisei vir até aqui
para entender
que não existe alto demais
sempre há um outro ponto
para alcançar.
Eu precisei conquistar
tudo que eu queria
para entender que os sonhos
sempre mudam.
Não existe chegada.
As batalhas que você luta
são realmente aquelas
que você quer vencer?
Você está indo alegremente?
Ou continua pensando
que ser blue é mais autêntico?
Eu precisava de uma história pra contar.
Eu sou mais que isso.
Agora
é hora de viver um outro enredo.
para entender
que não existe alto demais
sempre há um outro ponto
para alcançar.
Eu precisei conquistar
tudo que eu queria
para entender que os sonhos
sempre mudam.
Não existe chegada.
As batalhas que você luta
são realmente aquelas
que você quer vencer?
Você está indo alegremente?
Ou continua pensando
que ser blue é mais autêntico?
Eu precisava de uma história pra contar.
Eu sou mais que isso.
Agora
é hora de viver um outro enredo.
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