Sinto meus lábios incharem
Ambas as bocas desabrocham,
intumescidas e abertas
Diferente do calor úmido que se concentra entre minhas
pernas
Minha garganta está seca
Angustio um beijo
Minhas mãos sentem a pele,
desenham as curvas
Nada mais posso raciocinar
Meus olhos semicerram enquanto
me inclino suplicante
Logo, seu cheiro me invade
Preenchendo-me inteira
Antevejo sua cor
E prevejo a sensação de ser possuída
Por sua presença...
Num ligeiro susto, meus olhos se abrem.
Rugem em meus
ouvidos todos os sons dessa cidade de pedra, trazendo-me de volta.
Por que
você se recusa a vir?
Outro corpo poderá saciar minha
sede de você?
Considero que talvez uma pele com semelhante matiz... Meu corpo
não perceberá se eu substituí-lo?
É isso que você quer, ser
substituído?
É isso que você tenta fazer quando a selva me traduz através dos dias quentes e nosso colorido te sufoca, conseguir esquecer meu gosto apimentado e exótico enquanto friamente engole
alguma baba insossa?
