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Carta-Poema II

Eu me perdoo. Por todas às vezes que eu disse que não ia e fui. Por todas as palavras contraditas Por todas as ações julgadas e incompre...

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Lúdica Ilha

Sinto meus lábios incharem
Ambas as bocas desabrocham, intumescidas e abertas
Diferente do calor úmido que se concentra entre minhas pernas
Minha garganta está seca
Angustio um beijo 
Minhas mãos sentem a pele, desenham as curvas
Nada mais posso raciocinar
Meus olhos semicerram enquanto me inclino suplicante
Logo, seu cheiro me invade
Preenchendo-me inteira
Antevejo sua cor
E prevejo a sensação de ser possuída 
Por sua presença...

Num ligeiro susto, meus olhos se abrem. 
Rugem em meus ouvidos todos os sons dessa cidade de pedra, trazendo-me de volta. 
Por que você se recusa a vir?

Outro corpo poderá saciar minha sede de você? 
Considero que talvez uma pele com semelhante matiz... Meu corpo não perceberá se eu substituí-lo?

É isso que você quer, ser substituído?

É isso que você tenta fazer quando a selva me traduz através dos dias quentes e nosso colorido te sufoca, conseguir esquecer meu gosto apimentado e exótico enquanto friamente engole alguma baba insossa?








segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Oração

Talvez seja hora de perdoá-los. Talvez seja hora de me perdoar.

Todos estamos fazendo nosso melhor, afinal. Queremos apenas sobreviver. Estamos todos no mesmo barco.

Não, a vida não me deve nada.

E se eu não puder amar, devo ao menos honrar os outros, assim como eles são. Talvez seja hora de parar de exigir melhoras, parar de exigir evolução deles. Talvez tudo o que eles possam fazer, já tenham feito. E se eu quiser prosseguir, que eu prossiga, sem tirá-los do meu coração por isso. 
Talvez seja hora de honrá-los com suas escolhas e defeitos. Seguindo ou não, devo honrá-los, assim como eles são.

Talvez seja a hora de amar a mim mesma dessa mesma forma. 
Talvez eu deva ter esse olhar para com todos. 
E amar, transbordar amor, sem me preocupar com o retorno, sem me humilhar, nem me trair. Deixar o amor fluir livre por mim, sem máscaras, boas ou más. Deixar que a verdade seja minha justa medida. Que o amor seja minha constante mudança.

Que eu possa lembrar disso quando eu mais precisar, quando tudo o que eu quiser seja mudar o outro, quando eu for dura demais comigo mesma. 
Que essa realidade esteja sempre à superfície, para que eu possa pegá-la a qualquer momento.

Que eu possa perdoar. 
Que eu me permita fluir livremente, que eu enriqueça com toda a diversidade da vida e das pessoas. 
Que eu sempre possa aprender algo novo, e também ensinar. 
Que eu possa ser mais colorida ao sair dessa vida, tingida por todas as nuances possíveis. 
Que eu não tenha medo, que eu não queira me poupar. Que eu lembre sempre que viver é vivenciar. Que é justamente essa a intenção, o propósito é se arriscar. 
Que eu tenha coragem para me entregar, a cada momento, a cada pessoa, a cada impulso do meu coração. Que eu possa oferecer minha vida como um presente a mim mesma.