E de repente, a dor vem a galope. Toma-me. Arrebata-me. Mostra-me tudo aquilo que eu tento sufocar no torpor do trabalho constante.
Então me dou conta, que antes de buscar carreira e conhecimento, na minha agenda atulhada de compromissos eu buscava alívio. Alienação pessoal. Muito mais que apenas não querer, não me sobra tempo nem energia física para olhar a solidão que se instalou na minha vida; tenho desculpas suficientes em número e motivo, para continuar ignorando a linha fria de tristeza que vai costurando os meus dias.
E enquanto tudo o que eu fizer for apresentar resultados, enquanto eu continuar sendo produtiva; enquanto meu corpo aguentar e minha alma seguir oprimida, ninguém perceberá. Enquanto eu conseguir manter minha sombra escondida dos julgamentos impiedosos dos outros, tudo ficará bem.
Até, enquanto o grito cortante que me dilacera e me arrepia a carne, ressoar, rasgando entranhas e esperanças, e eu permanecer em silêncio... até lá, tudo ficará bem.
Então que ninguém saiba. Que seja surpreendente, como são as melhores coisas da vida.
Será que eu verei o fim desse inverno?
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Carta-Poema II
Eu me perdoo. Por todas às vezes que eu disse que não ia e fui. Por todas as palavras contraditas Por todas as ações julgadas e incompre...
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Feridas
Hoje cheguei a conclusão de que, por mais atraente que alguns possam ser, não tenho mais paciência com moleques. Os garotões, jovens e bobos, já não me divertem tanto. Cuidar de crianças é cansativo.
Claro que isso não me impede de acabar nos braços de algum deles, mas cria uma linha visível que separa o que é apenas diversão, de um possível envolvimento real.
Já criei uma criança, e isso me custou alegria, tempo e esperança. Não cometerei o mesmo erro duas vezes. Prefiro cometer erros novos.
Hoje prefiro dividir minhas dores com alguém que também tenha dores para contar.
Quero vivenciar o medo tangível de se abrir e confiar um no outro. A dúvida e o desejo que pairam, enquanto cautelosa e simultaneamente se observam dois animais feridos.
Claro que isso não me impede de acabar nos braços de algum deles, mas cria uma linha visível que separa o que é apenas diversão, de um possível envolvimento real.
Já criei uma criança, e isso me custou alegria, tempo e esperança. Não cometerei o mesmo erro duas vezes. Prefiro cometer erros novos.
Hoje prefiro dividir minhas dores com alguém que também tenha dores para contar.
Quero vivenciar o medo tangível de se abrir e confiar um no outro. A dúvida e o desejo que pairam, enquanto cautelosa e simultaneamente se observam dois animais feridos.
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