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Carta-Poema II

Eu me perdoo. Por todas às vezes que eu disse que não ia e fui. Por todas as palavras contraditas Por todas as ações julgadas e incompre...

domingo, 27 de janeiro de 2013

BIXO UFRGS 2013!


Hoje quando peguei um livro e comecei a dar uma lida sobre filosofia hindu, pude ouvir a voz da minha amiga Emely dizendo: "pensar que agora a gente vai poder estudar o que gosta!"... Cara, senti um arrepio!
Não, não caiu a ficha ainda! Talvez seja por isso que, apesar de ter passado no vestibular, o medo persiste. Medo! Medo do desconhecido.

Desde o tempo que eu me apaixonei por filosofia, há uns dez anos, inspirada pela Inês, a "tia" da biblioteca da escola, que eu tenho que largar meus livros de filosofia para ir estudar... ou parar de ficar "viajando" sobre quem somos e de onde viemos para me concentrar nos clientes que precisavam ser atendidos no caixa... Pensar que agora meu hobby passou a ser atividade oficial... Oi?!?! Como assim?! É louco! rsrsrs

É claro que nem tudo serão rosas. E é natural que seja assim. Mas honestamente, quero ser, como disse Oriah Mountain Dreamer no seu livro O Convite: "capaz de conviver com a alegria e deixar o êxtase penetrar até a ponta dos seus dedos, sem nos advertir que sejamos cuidadosos, que sejamos realistas, que nos lembremos das limitações da condição humana"...

Demorei muito para iniciar esse sonho, até demais! Mas agora é com tudo, é mergulho de cabeça!
Então para os meus amigos e amigas que não passaram esse ano, agora é manter a calma e depois investigar os motivos: Será que é isso mesmo que eu quero, de coração? Se é, porque eu não me permito?
Posso até estar falando alguma bobagem, mas com todos os tombos que já tive na vida e com o pouco que aprendi, parece que tudo acontece mesmo por algum motivo!

Acho que esse aperto no peito só vai passar quando as aulas começarem. Ou não.
Vai ver é isso que me move. Essa inquietação, essa busca por um não sei o que, essa vontade de voltar pra algum lugar... Talvez seja esse o meu estado de graça, dar todos meus erros e medos de alimento à minha coragem.


domingo, 6 de janeiro de 2013

De Rêve

Já fazia tempo que ele tinha ido embora. Eu ainda sofria.
Mas junto a nós, já morava um amigo muito querido e fiel.
Naquela madrugada, eu chorei e a dor no meu peito se abriu. Não conseguia dormir.
Meu amigo veio. Não disse nada, apenas segurou a minha dor. Quando me acalmei, ele ajudou-me a deitar e depois se deitou ao meu lado, abraçou-me e cobriu-me. Me senti em paz. Eu estava aconchegada em seus braços e queria muito agradecer. Ele tinha os olhos fechados, sua boca perto da minha... Dei-lhe um beijo suave. Foi tão bom, tão natural que dei outro e então, ele ainda de olhos fechados, reagiu, me beijando suavemente também. Continuávamos abraçados.
Quando de repente a realidade do que estava acontecendo e o sincero desejo o fez abrir os olhos, se mover um pouco para poder me ver melhor. Segurou meu rosto com as duas mãos e seus olhos procuravam em mim alguma resposta: O que tinha sido aquilo? Quais eram as minhas reais intenções?
Não sei o que ele viu. Eu estava tão surpresa, tão tocada e vulnerável quanto ele!
Foram alguns segundos. Então, dentro de todo o espanto e doçura, ele me beijou apaixonadamente, ainda segurando meu rosto em suas mãos, para logo depois me enlaçar, comprimindo meu corpo no seu e me beijando agora de forma profunda.
Nenhuma palavra foi trocada. Não havia necessidade.

Acordamos com a claridade cinza do dia, através das altas paredes de vidro.
Alguém já nos chamava. Era preciso ajudar na realização da reunião. Dessa vez era um grande evento, significativo. Não eram apenas negócios, eram sobre vida!
Não era estranho pra ninguém quando dormíamos juntos, éramos amigos de tempo, sinceros e fiéis. Além do que, há muito eu procurava um novo amor. Porem, naquela manhã, quando nos chamaram e a correria normal do dia invadiu nosso quarto, estávamos mais serenos e alegres que o normal. Ninguém percebeu, concentrados em seus afazeres. Apenas nos olhamos, cúmplices, e sorrimos.
Não éramos mais os mesmos. Agora existia um amor maior que antes... e desejo. E cada vez que trocávamos ideias durante o dia, pois trabalhamos nos preparativos praticamente juntos; cada vez que nos olhávamos, essa troca de energia era palpável, intensa, mágica! Embaçou minha visão física e tudo o mais ficou colorido.
Eu só pensava: "Não consigo acreditar! Passei tanto tempo procurando, encontrando homens que não me diziam nada, e o meu amor estava ao meu lado todo esse tempo?... Ele é um pouco parecido mas não tão bonito quanto o outro. Mas a verdade é que eu nunca senti nada assim... É embriagador!"
Ajudei-o com o figurino. "Está um príncipe!... Meu príncipe."
Nos olhamos e tudo estava dito.